sábado, 4 de julho de 2026

Segredos que todos sabem

 Não me falem, nem me contem histórias

De intemporais glórias,

De eternas memórias…


Não me mintam na cara,

Com a mentira que o mortal não repara,


Pois que amo o que é imperfeito,

O que se diz sem respeito,


Adoro que, ao voltar minhas costas, falem mal,

Que façam chumbo da minha pedra filosofal,

Ou que pereçam a tentar, sem conseguir,

Quando me vejam, fiquem cor de cal,

Sem saber para onde virar, nem o que há de vir,


Pois que amo o que não existe,

O que a natureza não cria e ao tempo não resiste,


E fico a olhar o inexistente, o perene, o horizonte,


E o que a sombra esconde, a tal fonte,

Da vida eterna, que é a poesia,


A arte, o sem nome, a magia,


E então canto, grito, alto, na serra,


Para as árvores ouvirem, o que não se nega,


O que o mocho canta, e o morcego berra,


Em tons mudos, que apenas eu ouço,


Já que todas as noites, saio do calabouço,


Que fala, cala, e nele aprendo,


O que é, o que vai sendo,


E nesta estreita senda, feita de mil caminhos,


Em que caminhamos juntos, sozinhos.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Entre espaços

 Acordo, a corda à volta dos meus pés, pendurado,

Vejo impressões digitais, em todo o lado,

Em todas as paredes, e escrevo, escrevo, com tinta indelével,

E sinto-me depleto, morto, 

Enquanto bebo… bebo… bebo deste porto,

Sinto uma sensação inefável,


Bebedeira e imaginação

Ilusão e cegueira, 

Perdão…

Estranha sensação,

Estranha esta beira,

Deste penhasco de loucura,


Que dá p’ra um infinito,

Quem dá nada, nada tem, 


Quem tudo quer nada tem,

E é levado pela noite no grito,


Descobre-se a chapada que acorda qualquer um,

Segue-se um segundo, um terceiro e um quarto segundo,

Segue-se ante meus pés um mundo,

Pisá-lo, é , nunca, para qualquer um.


Vejo e revejo tudo em mim ante imagens

Belas paisagens, estranhas aragens,

Em todas elas no futuro, que está gravado,

No passado…


Destino-me a nada a não ser a areia do passar do tempo, o mais que faço leva-me o destino...

Desta vida carnal um simples, mais do que isso, simplíssimo peregrino,


Nada do que faço esconde de mim, nem dos outros a beleza que vejo, em contemplar,

Ah, agora tenho que pensar, um pouco, pelo menos, para comigo mesmo negociar,


O dia é de neve, que cai como adagas, e toca o sino,




Os fluxos do fumo refletem-se a si mesmos, nos quais eu vejo tudo,


Em espectros fantasmagóricos que bruxeleiam, nos quais o futuro me fala em vozes de mudo,


Olho-me ao espelho, não me reconheço, despeço-me, vou brincar com facas,

Algo que magoe, a mim, aos outros, facas, matracas, desde que alguém esteja a tocar umas maracas…


Aí tudo ganha um grande efeito cómico,

Aí até um acto terrorista pode ser icónico,

A ironia, o espectáculo desta vida, inacreditável

E que se contassem, ninguém acreditava, ninguém saberia,


A magia está aí, a magia,

Oh essa, essa, seus Deuses, seus entes, suas forças…

E Diabo, lá no fundo do inferno, sem saber por quem te tomar…

sábado, 28 de março de 2026

Tenho-o, o tempo

 Agora, 

Apenas agora,

Nesta mais sublime hora


Finalmente,


Tenho tempo…

Para até o mais lento pensamento


Agora,

Para conhecer o vento,


Para conhecer, este e aquele sentimento,


Para me perder em perfumes, de segredo,

Tenho tempo, para qualquer enredo


E o tempo consome-se

Na labareda que acende o cigarro,


Ou quando se vai embora,


Como a sombra de um chaparro,



Mas finalmente o tenho,

Mas, vejam, ele evade-se de mim,


Pois que, eu tenho fim,


Nem não, nem sim,


Simplesmente infinito


No qual me perco, e também ele em mim,

Fica, impermanente,

E linear, e fugidio,

E tenho-o, tempo,


E o tendo, ele me foge.

sexta-feira, 27 de março de 2026

segunda-feira, 23 de março de 2026

Artrium's substack

Check This link for more posts about Artrium,

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sexta-feira, 6 de março de 2026

irrelevantes nuvens

 

O cigarro, à distância, a queimar,

Irrelevante o fumo, que, sem constância, teima em voltar,

Despido de alma nua, sem luz, na penumbra, sendo sombra apenas,

Crio e destruo luz, e vejo anjos sem penas,

 

São eles apenas olhos, que nada vêm

São eles apenas criações minhas, que nada têm

Arrepios no meu corpo e mente bem despida

Sincopes no meu coraçao, e a visão bem tremida,

 

À luz do meu ser, que nada deixa alem de sombras,

Às sombras da minha luz, que não são apenas sombras,

À minha pele, arrepiada, e feita de escombros,

À minha volta apenas vejo seres aos tombos.


quinta-feira, 5 de março de 2026

Artrium

🚀 THE CALL TO ACTION: THE FOUNDING 100

We are currently recruiting the Founding 100 Artists for our Pre-Alpha phase.

We are looking for:

  • Visual Artists (2D/3D/Concept)

  • Architects & Engineers

  • Writers & Tech Strategists

  • Developers & Designers

As a Founding 100 member, you will define the standards of the refinery and hold permanent status in the Artrium ecosystem.

Ready to own your heritage? Send your portfolio/intro to: cassielporto@gmail.com

Mail at cassielporto@gmail.com

Meet you there?
 

Artrium

 What is Artrium?

Artrium is a social media, arts forum, dealer/gallery job and mentorship board, and Intellectual Property repository and safe, for artists, while also promoting competitions and challenges!


Artrium uses the IP (Story Protocol) to make your work and inventions safely kept away in the blockchain. 

At Artrium every post you make is safely nested on the IP blockchain, unstealable, and you get royalties if anyonne uses your intelectual property!


Artrium works in any type and medium of art, while we are looking for the 100 first artists, they will be the first to try out the platform.


Gain RP everytime you do honest reviews on other people's art, gain RP when you get reviews on yours... Gain RP at challenges or even sell your artworks directly from the forum through the IP (Story blockchain)


Pay other members or get paid yourself by selling your art, directly through the IP protocol, the payment is automatic, since it relies on a smart contract, the payments are rapid and reliable,



We are looking for 20 for each of these vertices, Writting /poetry, Photography, painting and drawing, sculpture, architecture, musical production, 3D art and devices, software, and inventions,


At artrium any type or medium of art is accepted. But what about AI? Well we train our own AI's using our artworks, which in turn generates revenue for ourselves!


Want to be the early bird? or the old potato?

Message me at cassielporto@gmail.com

Meet you there?


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Artrium Call to artists

 The end of the "Likes" era. The beginning of the Heritage era.

For years, your talent has been measured by algorithms that understand nothing about art. You publish your work to gain visibility, but in exchange, you risk having your Intellectual Property "scraped" by AI without your consent.

Artrium is no longer just a digital gallery. It is a refinery. Here, your technical merit becomes your authority, and your creativity becomes a legally protected asset. We are building the place where artists are not replaced by technology, but rather become its masters.


Title: Don't let AI replace you. Become its teacher.

The world has changed, and the way you protect your art must change too. Artrium is the first ecosystem where elite artists use their technical expertise to train the next generation of AI agents, ensuring authorship and royalties through immediate digital registrations.

We are looking for the original team of artists to lead this revolution. At Artrium, your reputation is your greatest capital.

A tua arte vale mais do que um scroll.

Cansado de alimentar plataformas que não protegem o teu trabalho? No Artrium, transformamos o teu talento em Propriedade Intelectual (IP) protegida e monetizável.

✅ Registo digital de autoria imediato. ✅ Monetização via treino de IA e licenciamento. ✅ Governação baseada no mérito técnico, não no capital.

Artrium: Onde o mérito encontra o mercado.


Send e-mail to
cassielporto@gmail.com
Stating your art medium(s) and digital portfolio 
for pre alpha inscription

 https://cassielporto.substack.com/?r=7qnq6l&utm_campaign=pub-share-checklist

Artrium (Call to artists)

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cassielporto@gmail.com   
Com os vossos meios e exemplos das vossas melhores obras
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domingo, 8 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Porta de uma casa vazia

 Todos os dias bato á tua porta
Não há, nunca, sinal de vida
Talvez estejas a dormir,
Ou já morta
Tua casa, pelo tempo esquecida 
Olha para mim, ainda a sorrir
Tua janela, fechada e torta
Mostra miragens atras da casa
Como fantasmas numa campa rasa


E todas as noites, todas, contigo sonho
Mas quando acordo sinto-me estranho
O sonho era risonho, agora é medonho

E o teu quarto, menos tamanho,

Pois, agora sem ti, parece vazio
E tu, fantasma, por detrás da janela
A sorrir, eu de volta sorrio
Mas todas as noites, o sonho
Morre á tua porta

As fotografias, essas, ainda guardo,

Mas hoje, ardem, e também eu ardo

Para aquecer meu gelado coração

Nem eu faço questão,

De te procurar ainda

Perdido numa memória que não finda

Então, quando passo na tua rua

Vazia, ainda é só tua,


Quem habita tua casa agora

O sol e a lua

E tua vizinha, pergunta-me

Onde mora ela agora?

Pergunta sem respostas, pelo menos agora.

E então a rua assalta-me

Com memórias e emoções,

Histórias, delírios e preocupações.

E deixo, tua rua, de mãos nos bolsos, e taquicardias,

A tua casa, na distância, aparenta cantar sinfonias,

Então, passo nessa rua, todos os dias,

Mas cada vez mais percebo que não voltarias.

A queda

Primeiro cede e balança,

Depois esquece e dança,

Depois, morre e descansa,

Caça, mata, guarda a lança,


Sobe a árvore, nela se senta,

Fica a olhar a nuvem, ela cinzenta

Depois cai, porque o ramo rebenta

Cabeça no chão,  que nem pensar tenta


E eu, da minha varanda, vejo e rio

Esta situação ao pé do rio vazio 

Ele ainda não me viu

Novamente me rio, 

Ele nem levantar ainda conseguiu


Levanta, vomita, tosse

Quase com morte precoce 

Sua consciência escapa de sua posse

Desmaia ele, e eu tiro fotografia, imagem agridoce.



Ajudo-o, atónito e afônico 

Ele me aparenta em perigo 

O que posso fazer? Pois que nada consigo

Ele me olha, ainda catatônico

Oferto-lhe um tônico, 


Ele se levanta, treme e desanda, segue sem caminho,

Aparenta que bebeu demasiado vinho.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Frias Noites


A noite cai, fria, muito fria
E no cru silêncio, a luz se apaga 
Também a mim me silencia, 
E a cada movimento que se faz
A cada passo que dás,
O escuro afaga-me a cara
Com a lágrima que ninguém repara,
O gelo, invisível, não serve de paga,
Mas serve como chapada,
Como relação acabada, quebrada
Então, danço, eufórico, até cair
Até deixar de sentir,

Danço, danço,

Mas nem por isso me canso

E perco-me em delírios, 
Alucinações, paranoias,
Pesadelos, horrores insônias 

Até todas as gotas de chuva parecerem-me colírios

Ate todas as vozes parecerem minhas,
Ou ate todas falarem sozinhas,

E então o que restar,
Terá peso de nada e ar
Só meu impossível ser
O nada e a minha consciência 
O meu corpo a derreter,

Essa é minha ciência,

Criar nadas,
Desfazer tempo ás braçadas.

Avisos (1)

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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

The chess of life



 



Oh life's a chess
Oh, it's a game
If you are to lose 
It's because of your own moves,
Or a wrong guess,
Can't blame me, can you?
You have only yourself to blame,
It's your time to move, go on,
What a terrible move, game over,
Check, check, check,
The table is looking like a mess,
And your king, and the rooks, like a wreck,

Not game over , not yet,
Check, and check and check,
The time is set, tis set,
Say I, and the pawns return,
To the same box and the king and queen,
So it may seem, that the table took a turn,
I look at you, serious, and lean in
Your last move is that? Haha


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

The glow in your eyes

 O Golden haired, your eyes glow

For when i looked 

that is what they show

Gleemed , what i saw i know


And the air, it came alive


And it glowed

Shadows made hollow

time slowed

between a today

or a tomorrow

Nothing left unsaid

Maybe i was unprepared


And


O Golden haired, your hair glows too

So does all the stuff you do

Every gesture


You are fire, allure


And I, like moth to a flare

Guess some destinys are rough


Oh lady of the glow


Tell me about all there is to know



And when you sing

Even the air glows

youre special and it shows

Every thing about you glows


And the room, it glows too

Everything is touched 

With the kindness of your heart

That what most glows,

Though nobody knows

It glows the most in you

But, see I glow too

lets glow together


Your emerald eyes

Window to a soul

Big like a world

They shine sublime

Thats how they shine

Under the moon, lunatics

And the moon glowed less than you do

segunda-feira, 30 de junho de 2025

O ergot de Baco

Pois a pitonisa se enganou

Talvez, tivesse estragado, o vinho

Ou tivesse ergot,

Mas, eu sozinho,

talvez adivinho,

Penso, ergo?

Ergo? O que sou?

Serei também aquele que se enganou?

Bom, aquele vinho, cheio de ergot,

Viajando, sem me mexer,

A viajar dentro de meu ser!

Perdido, ergo achar-me-ei

O que eu sei e o que não sei…

Sei também que pouco sei

A filosofia, é, no palco da minha mente,

Tal como a magia para o descrente;

É na verdade impossível de contornar,

É impossível, após ser visto, de descreditar.

Milagre, milagroso,

Ou purgatório e sonho penoso,

Haja na morte tal como na vida,

O que se deixa para trás como matéria perdida,

Nada levamos, nada de todo,

Morro sem saber nada,

Sei, embora isso, que sou parte de um povo,

E na justiça, que vejo pelos pobres implorada,


sexta-feira, 16 de maio de 2025

compostos opostos

 Para cada ira,
há sua mira, 
Mas para cada ódio,
Há seu oposto como amoroso pódio,
Se para a ira há mira,
Por alguém que amor carpira,
Que fosse Aqua Regia para seu ouro,
Ou Sol Para sua Lua,

Se cada floresta de Pan e Medeia,
há como canção e como brincadeira,
Tecida trama, tecida teia,
Há fogo, há madeira,

Em cada fogo há fumo e brasas,
Liquidas pedras feitas de fogo sem fumo,

Para a quente e aquosa serpente,
Que tem o remédio e o veneno,
Em cada qual dente,
E que mata, com subtil movimento sereno,
Há nela o fogo, o fumo, a liquida brasa, e a água aquecida, 
Agua quente no ar húmido e aquecido, vapor que só sem se ver faz sentido

sábado, 3 de maio de 2025

霧から煙へ、煙から霧へ、日陰で、そして稲妻の中で、日陰で夜は静寂に包まれる、そして私は夜を通して煙の中に消えてゆく、そして夜に光が見える

 


霧から煙へ、煙から霧へ、日陰で、そして稲妻の中で、日陰で夜は静寂に包まれる、そして私は夜を通して煙の中に消えてゆく、そして夜に光が見える



o fogo o fumo e o nevoeiro

                  Do fogo ao fumo

Do nevoeiro ao fumo

Do fumo ao nevoeiro

à sombra


E ao relampâgo,

À sombra

Há silêncio na noite

E perco-me em fumo pela noite;

E na noite vejo a luz