sábado, 4 de julho de 2026

Segredos que todos sabem

 Não me falem, nem me contem histórias

De intemporais glórias,

De eternas memórias…


Não me mintam na cara,

Com a mentira que o mortal não repara,


Pois que amo o que é imperfeito,

O que se diz sem respeito,


Adoro que, ao voltar minhas costas, falem mal,

Que façam chumbo da minha pedra filosofal,

Ou que pereçam a tentar, sem conseguir,

Quando me vejam, fiquem cor de cal,

Sem saber para onde virar, nem o que há de vir,


Pois que amo o que não existe,

O que a natureza não cria e ao tempo não resiste,


E fico a olhar o inexistente, o perene, o horizonte,


E o que a sombra esconde, a tal fonte,

Da vida eterna, que é a poesia,


A arte, o sem nome, a magia,


E então canto, grito, alto, na serra,


Para as árvores ouvirem, o que não se nega,


O que o mocho canta, e o morcego berra,


Em tons mudos, que apenas eu ouço,


Já que todas as noites, saio do calabouço,


Que fala, cala, e nele aprendo,


O que é, o que vai sendo,


E nesta estreita senda, feita de mil caminhos,


Em que caminhamos juntos, sozinhos.