Todos os dias bato á tua porta
Não há, nunca, sinal de vida
Talvez estejas a dormir,
Ou já morta
Tua casa, pelo tempo esquecida
Olha para mim, ainda a sorrir
Tua janela, fechada e torta
Mostra miragens atras da casa
Como fantasmas numa campa rasa
E todas as noites, todas, contigo sonho
Mas quando acordo sinto-me estranho
O sonho era risonho, agora é medonho
E o teu quarto, menos tamanho,
Pois, agora sem ti, parece vazio
E tu, fantasma, por detrás da janela
A sorrir, eu de volta sorrio
Mas todas as noites, o sonho
Morre á tua porta
As fotografias, essas, ainda guardo,
Mas hoje, ardem, e também eu ardo
Para aquecer meu gelado coração
Nem eu faço questão,
De te procurar ainda
Perdido numa memória que não finda
Então, quando passo na tua rua
Vazia, ainda é só tua,
Quem habita tua casa agora
O sol e a lua
E tua vizinha, pergunta-me
Onde mora ela agora?
Pergunta sem respostas, pelo menos agora.
E então a rua assalta-me
Com memórias e emoções,
Histórias, delírios e preocupações.
E deixo, tua rua, de mãos nos bolsos, e taquicardias,
A tua casa, na distância, aparenta cantar sinfonias,
Então, passo nessa rua, todos os dias,
Mas cada vez mais percebo que não voltarias.
Rafael Raposo
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Porta de uma casa vazia
A queda
Primeiro cede e balança,
Depois esquece e dança,
Depois, morre e descansa,
Caça, mata, guarda a lança,
Sobe a árvore, nela se senta,
Fica a olhar a nuvem, ela cinzenta
Depois cai, porque o ramo rebenta
Cabeça no chão, que nem pensar tenta
E eu, da minha varanda, vejo e rio
Esta situação ao pé do rio vazio
Ele ainda não me viu
Novamente me rio,
Ele nem levantar ainda conseguiu
Levanta, vomita, tosse
Quase com morte precoce
Sua consciência escapa de sua posse
Desmaia ele, e eu tiro fotografia, imagem agridoce.
Ajudo-o, atónito e afônico
Ele me aparenta em perigo
O que posso fazer? Pois que nada consigo
Ele me olha, ainda catatônico
Oferto-lhe um tônico,
Ele se levanta, treme e desanda, segue sem caminho,
Aparenta que bebeu demasiado vinho.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Frias Noites
A noite cai, fria, muito fria
E no cru silêncio, a luz se apaga
Também a mim me silencia,
E a cada movimento que se faz
A cada passo que dás,
O escuro afaga-me a cara
Com a lágrima que ninguém repara,
O gelo, invisível, não serve de paga,
Mas serve como chapada,
Como relação acabada, quebrada
Então, danço, eufórico, até cair
Até deixar de sentir,
Danço, danço,
Mas nem por isso me canso
E perco-me em delírios,
Alucinações, paranoias,
Pesadelos, horrores insônias
Até todas as gotas de chuva parecerem-me colírios
Ate todas as vozes parecerem minhas,
Ou ate todas falarem sozinhas,
E então o que restar,
Terá peso de nada e ar
Só meu impossível ser
O nada e a minha consciência
O meu corpo a derreter,
Essa é minha ciência,
Criar nadas,
Desfazer tempo ás braçadas.
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The chess of life
Oh life's a chess
Oh, it's a game
If you are to lose
It's because of your own moves,
Or a wrong guess,
Can't blame me, can you?
It's your time to move, go on,
What a terrible move, game over,
Check, check, check,
The table is looking like a mess,
And your king, and the rooks, like a wreck,
Not game over , not yet,
Check, and check and check,
The time is set, tis set,
Say I, and the pawns return,
To the same box and the king and queen,
So it may seem, that the table took a turn,
I look at you, serious, and lean in
Your last move is that? Haha
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
The glow in your eyes
O Golden haired, your eyes glow
For when i looked
that is what they show
Gleemed , what i saw i know
And the air, it came alive
And it glowed
Shadows made hollow
time slowed
between a today
or a tomorrow
Nothing left unsaid
Maybe i was unprepared
And
O Golden haired, your hair glows too
So does all the stuff you do
Every gesture
You are fire, allure
And I, like moth to a flare
Guess some destinys are rough
Oh lady of the glow
Tell me about all there is to know
And when you sing
Even the air glows
youre special and it shows
Every thing about you glows
And the room, it glows too
Everything is touched
With the kindness of your heart
That what most glows,
Though nobody knows
It glows the most in you
But, see I glow too
lets glow together
Your emerald eyes
Window to a soul
Big like a world
They shine sublime
Thats how they shine
Under the moon, lunatics
And the moon glowed less than you do
segunda-feira, 30 de junho de 2025
O ergot de Baco
Pois a pitonisa se enganou
Talvez, tivesse estragado, o vinho
Ou tivesse ergot,
Mas, eu sozinho,
talvez adivinho,
Penso, ergo?
Ergo? O que sou?
Serei também aquele que se enganou?
Bom, aquele vinho, cheio de ergot,
Viajando, sem me mexer,
A viajar dentro de meu ser!
Perdido, ergo achar-me-ei
O que eu sei e o que não sei…
Sei também que pouco sei
A filosofia, é, no palco da minha mente,
Tal como a magia para o descrente;
É na verdade impossível de contornar,
É impossível, após ser visto, de descreditar.
Milagre, milagroso,
Ou purgatório e sonho penoso,
Haja na morte tal como na vida,
O que se deixa para trás como matéria perdida,
Nada levamos, nada de todo,
Morro sem saber nada,
Sei, embora isso, que sou parte de um povo,
E na justiça, que vejo pelos pobres implorada,
sexta-feira, 16 de maio de 2025
compostos opostos
Para cada ira,
há sua mira,
Mas para cada ódio,
Há seu oposto como amoroso pódio,
Se para a ira há mira,
Por alguém que amor carpira,
Que fosse Aqua Regia para seu ouro,
Ou Sol Para sua Lua,
Se cada floresta de Pan e Medeia,
há como canção e como brincadeira,
Tecida trama, tecida teia,
Há fogo, há madeira,
Em cada fogo há fumo e brasas,
Liquidas pedras feitas de fogo sem fumo,
Para a quente e aquosa serpente,
Que tem o remédio e o veneno,
Em cada qual dente,
E que mata, com subtil movimento sereno,
Há nela o fogo, o fumo, a liquida brasa, e a água aquecida,
Agua quente no ar húmido e aquecido, vapor que só sem se ver faz sentido
sábado, 3 de maio de 2025
霧から煙へ、煙から霧へ、日陰で、そして稲妻の中で、日陰で夜は静寂に包まれる、そして私は夜を通して煙の中に消えてゆく、そして夜に光が見える
霧から煙へ、煙から霧へ、日陰で、そして稲妻の中で、日陰で夜は静寂に包まれる、そして私は夜を通して煙の中に消えてゆく、そして夜に光が見える
o fogo o fumo e o nevoeiro
Do fogo ao fumo
Do nevoeiro ao fumo
Do fumo ao nevoeiro
à sombra
E ao relampâgo,
À sombra
Há silêncio na noite
E perco-me em fumo pela noite;
E na noite vejo a luz
sexta-feira, 2 de maio de 2025
crypto donations
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Bitcoin network
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Sol (SOL network)
Para quem me quiser pagar um café...
terça-feira, 29 de abril de 2025
água e madeira
Depois de me iluminares
Corto a água
carrego madeira
Senta,
Aproveita a madeira
Quebra esse gelo
Corta me com amor,
Em mil e um pedaços
terça-feira, 8 de abril de 2025
Haikais amorosos
minhas lágrimas
Têm gosto de chuva
Também de ti
Nos cheios rios
vejo, espelhado neles,
meus sonhos de nós
No dia, na noite
No nevoeiro vejo,
imagens de ti
Chuvas torrenciais
profetizam-no em mim
o nosso amor
Todas as flores
Têm o teu aroma
Tu és as flores
Vejo em todas
as flores em rebento
meu amor, por ti
De todas as tuas
cores, prefiro-te, em
luzes perfeitas
as tuas luzes,
na primavera, vejo,
com o coração
Todos os dias,
de sol têm, o teu ser,
Só por tu seres
Teu nome está
escritos... em todos os
grãos de areia
és o meu ouro,
de pele perfeita, és
mais do que ouro
és como a luz,
do melhor sol, do verão
mas, impagável
Renascemos nós
A cada dos outonos
Dentro dos ventos
Cada arvore
simboliza pra mim
reencarnação
A cada folha
eu e tu renascemos
ao ela cair
Cada semente
é pra ti e para mim
algo para cuidar
És a montanha,
mais alta, que se pode
vir a escalar
(Para ti, tu sabes quem)
Ai, Chiça
Ai maiiiim
Raios que s'tou farto,
Olho para meu retrato,
farto, ele de cabelo farto,
Rio-me do meu passado,
De minha infância completamente apagado,
Sinto-me capaz de tudo,
Até de alguma sabotagem subtil,
Estou capaz de muito,
Esqueci-me de um til,
Algures, sinto-me mudo
Amordaçado, e capaz de me desamordaçar.
Ou de alguém em necessidade e direito espancar.
sábado, 5 de abril de 2025
Peripécias
A dissonância cognitiva levou-me à demência…
Nem os mais sábios tudo vêm
A morte acontece, não é poética, a poesia vem depois
Todos os livros que abri, abriram-me a mim também.
Se não houver nada… agarro-me à liberdade e à justiça
Talvez, depois, apenas me reste o silêncio
Rodar os dados da vida, só por arriscar por algo melhor…
É melhor que arriscar à roleta russa, contra fantasmas do passado
O medo paralisa… será o medo? Ou o objeto do medo?
O segredo é inefável quando realmente é segredo
Se nada dá certo, faz errado.
Numa noite de vagabundagem, escrevi, escrevinhei e senti, “estou num labirinto de liberdade, mas não consigo sair”
peripéptico
Mata verdade, mata-os!
Não fales…. O silencio tudo revela
quarta-feira, 2 de abril de 2025
Mas... Que... Raio
Antigamente,
Quando nos aeroportos ainda havia pássaros, e as cidades cheiravam sempre mal:
Sentei-me,
Tirei do meu pacote de bolachas, meus bolsos pesados, com tantas coisas da viagem, reparei que tinha perdido algumas coisas, pelo que fiquei chateado. Ao pegar no pacote de bolachas alguém se sentou a meu lado; uma mulher, a sua beleza era aquém muitas outras, deixava, simplesmente, para trás.
A mulher olhava-me de forma cada vez mais suspeita e aparentemente paranoica...
Perto de acabar o pacote de bolachas, ela olha-me com uns olhos que, se pudessem, tinham, ali naquele momento, me mandado para algum sítio feio. Quase que se ouvia gritantemente : VAI PRO CARALHO! Note-se, isto na Hungria. Ofereci-lhe a ultima bolacha. Ela diz que não.
Ao sair, à distância, olho para trás, e ela tem um pacote igual ao meu, não sei onde ela o arranjou...
Penso que ela, tivesse se sentido roubada ali e aqui, mesmo naquele momento, olha-me e com os olhos me pede desculpa.
quarta-feira, 26 de março de 2025
Maquiavelismo(s) (MÁ)
Tenho, de facto,
um prazer,
de ser
ExtRRRRemamente maquiavélico,
com os meus inimigos,
faço comigo, um pacto
de o continuar sendo
e rio-me deles, quando dizem "somos amigos"
Sabota-me
Sabota-me
que nem uma truta,
poiiiis
tentas mas não consegues!
O numero que mais dizes é o dois!
POOOIS!
Segue!... e tu... Logo segues.
Oh... (...)
Meto... a bota... Lá... (bem...(...))
Bem... assim... tal como cá!
terça-feira, 25 de março de 2025
weeee!
A pouca e parca erva, consumida,
sempre com cerimónia, é perfeita, e bela de ser inspirada,
E sabe melhor (a pato até)
pois que ela mesma me é oferecida,
mal enche o buraco do dente,
embora isso, vem de boa gente,
dai que saiba melhor (e fico a limpar as penas do pato)
Até
Meu amigo, outro eu,
Cassiel
o sabiamente sábio
sua poesia é bruttal,
embora isso, tal eu, e ele qual;
ambos mortal.
sábado, 1 de março de 2025
Exausto
Tenho cara, cara de exaustão,
Exaustão clínica, dizem-me em tom de persuasão
Tenho cara, cara cadavérica,
E um semblante cansado,
Olho um bocado,
de maneira mesmérica,
Ouço tudo o que se passa, até de pássaros, o seu voo
e tudo o que sou, sou-o,
9 de mim me rodeiam a cada noite, que passo num falso dormir, num mau conforto,
E a cada dia mais me olham, mais vejo, e todo eu absorto,
Férias, clamo, e sinto-me morto.
sábado, 15 de fevereiro de 2025
por um triz
Por um triz,
que não eramos apanhados,
Floresceste e encantaste-me,
Bebi da tua essência divina,
E agora, vejo te como página essencial de minha vida,
Ainda gostaria de esperar por ti,
Acho que o que eu, tu, e nosso conjunto eu,
Me pediu para ficar, e tu concordaste,
De ti não desisti,
e tu, foste censurada,
julgada,
Da tua essência,
Nossa quintessência,
Amo-te p'ra lá dessa conversa de almofada, p'ra qual não tenho paciência.
E tu... que sentes tu?
O mesmo que eu?
Cornos(?)
Os cornos, que pensava ter;
Invisíveis de se ver;
Nem sequer os tive, ilusão,
destacamento,
pensamento e encanto,
e recaída na paixão.
Nunca te esqueci de verdade,
estive em negação
O amor que tive,
em mim revive
E agora, agora... sinto simplesmente saudade.
Te amo ainda, e por ti procuro
Que sem ti, nada, nada mesmo, há outro veneno, que como tu me cure e contigo me curo
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
Be carefull
Be carefull what you wish for
it might just turn on you
it may just be the fae's
trying to score
dont waste your energy
Like hay...
use the synergy
wish the best and you shall reap
what you sow
so don't ego trip
Don't just sit
act on it
Don't waste neither your latin nor your spit
you be even
you'll be even
you shall should sleep on the issue
Or sometimes wish for a tissue
Wish to be free
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
Contemplo
Contemplo,
olho para dentro
Dentro é... o meu templo
Dentro, dentro, o centro
Lidero, por exemplo
pelo tempo, pela sorte
Que regozijo em meu templo
Vou vivendo, vou sendo
vou escrevendo,
Com tudo, com nada, com a vida,
e com uma moeda, não desperdiçada,
Invertida,
Um futuro, com uma vida,
Jamais inconcebível seja seu futuro,
que jamais por Deuses e Deusas tríplices,
Nenhum desses não ser seu cúmplice,
E nenhum dos S(s)eus inimigos,
Que se revelem perante ela seus reais cúmplices,
Que seja sua fortuna em grande sorte crescente
Que se faça seu favor no ano da serpente
Que venha ao mundo sorridente,
Que só Deus a possa levar quando morrer
Que haja no dia do seu nascimento uma aurora metálica em doces e maravilhosos cinzentos
Que todos os dias, semanas, anos, décadas e milénios, até de depois de sua noite, se celebre seu nascimento, Que se arte a foverecer e ela à arte, Que seus destinos subtilmente se cruzem, que As luzes da Aurora se façam grandes e todas a guerras se capitulem, de uma forma angélica,
pois que sangro desejo ser considerado de família,
Como que um gracioso fantasma invisível,
Pois que confiança com confiança se paga, e que a tríplice do vosso amor não se estrague, que seja até em sua vida Deíficada, que depois do casamento sangrada continue viva, em vida dignificada, a cada Aurora da melhor saturnina manhã e glorioso domingo de Aurora e sol dourado,, Sua mente seja louvada, a manhã aprazível, seja tratada por Deus com sua inteligência sensível, guiado por cada um dos arcanjos, e que seja convidada em casa de família, que tenha todos os dias os mais belos cabelos e cílias, e não atraia jamais a atenção ignóbil de motivos, que seja ela mesma da mais bela e nobre natureza, que cada sua Lua e Vênus a façam mais bela, que nem a prisão da mente se torne sua cela, que todo o mundo deixe ver o que revela, que nunca se apague de sua alma a vela, que para ela haja todas as certezas necessárias e mais algumas,
Que so Dues, seus amantes, seus pais e as mais sagradas ninfas naturais a vejam nua, e por último idém lhe desejo amor por toda a vida que por infortúnios jamais seja seguida, e que seu ser, sua mesmeza seja difícil de ser esquecida, nem sua beleza, por simples gula perseguida, que jamais seja mesmerizada, nem a troco de nada nem por Nemo.
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
Advice(?)
I do like
to think twice
or even thrice
bout each advice
sometimes even that doesnt suffice
Sometimes you have to put em on ice
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Lua, faz-me companhia
Oh, Lua, que estás tão grande acima do horizonte.
Que de tão grande, ou és feita de pensamento,
Ou de cimento.
Oh Lua, que estás, até madrugada que virá, a monte.
Oh Lua, tão artificial.
Feita de cimento e de metal.
Ou de pensamento filosofal.
Que cobres no céu teu lugar e de todas nossas loucuras.
Que estás por nos coberta de superstições,
Que na verdade, fazes parte de todas as imaginações,
Que afetas, de facto, nossas volições,
Que , no horizonte, ou no apogeu, ou no zénite,
Eu te vejo, Lua, em cada efeméride.
E só te vejo, porque vós, Lua, permite,
E, Lua, Vinde,
Vinde a nós, Lua, nos mortais, e vós Lua tão imortal.
Que se fosse possível, serias tu também feita de cimento e
metal,
Só para ajudar os negócios do nu macaco, ainda irracional.
Que troca tudo que tem, por algo que jamais terá, de forma
insciente.
E tu, Lua, omnisapiente,
Que nos olhas, do topo do céu, com tua cara tão leve, feita
de leveza,
Permite-me ver, debaixo de tua luz, no mundo a real beleza.
sexta-feira, 13 de setembro de 2024
A ti, Sofia
Em ti, espero, provocar alquimia.
Que eu senti na pele como eletricidade,
Te mascare na guerra e no amor,
O que vier virá e o que for será.
Estavas também tu, ainda mais que elas,
Do teu lado, sem lá de facto estar.
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
Desdita
Dizem-me "cara de abençoado"
Só se for pelo diabo
dizem-me "és privilegiado"
Mas quando começo a contar dores, não acabo
Dizem-me "és inteligente"
Talvez demais para não ser indigente.
Dizem-me que escrevo bem
Mas no fim sou um Nemo, ninguém.
Dizem-me que tenho jeito para a escrita
Mas sinto-me indigno, da cena artística, um parasita
Sinto-me ignóbil, parado, amordaçado,
Sinto-me desperdiçado,
Sinto-me, enquanto escrevo, a escrever,
Que sou apenas um escritor a ser.
quinta-feira, 22 de agosto de 2024
Remessas secretas
quinta-feira, 18 de julho de 2024
O para-apotecário
Não sei, talvez desta vez tenha sido o Rafael, meu vicário
Ainda lá voltarei, A senhora com quem engracei
É das mais belas,
E à volta, todas elas,
Por mais belas, ficam aquém,
Ela é bela como ninguém
À qual cabe o sapato que querem todas as donzelas
terça-feira, 9 de julho de 2024
domingo, 9 de junho de 2024
Lágrima de mel acre
O sorriso do Cassiel
Sabem ambos a mel
Prazer e fare niente, belo desporto
Confidencias,
Segredos
Eloquências
Sem medos
Apenas boémios degredos
Sentindo-me bêbado
Estranhando os momentos
Mal amados são os dias dos passados
E ... Perdido em sentimentos
Segredo....
A teu ouvido...
O que jamais fora dito, e digo-o
Esperando que ouças sem respostas
Transpondo portas
Faça se entrar,
Pare para pensar
esotheios
Apenas para agir
E sair
Exotheios, faça se sair
quinta-feira, 6 de junho de 2024
Sou servo da caneta
A carne é cruel e pecaminosa,
A vida é feia e tu… desdenhosa,
Abraçamo-nos desnudados,
E toda a sintonia
De emoções, de sensações,
De beijos lânguidos e intensos,
De solipsos momentos,
Escritos em pedra, desenhados nas areias,
Que por ti e por este amor que me corre na veias,
Sou servo da caneta e da tinta que destilo, e nos ventos
Que correm espalhando a palavra que te quero dizer;
Amo-te.
E ao encontrar teu ser, tua mesmeza, tua magia,
Sinto no ar teu sabor, e em todos os elementos…
Vejo o teu olhar refletido…
Obscurecido
E lá vou eu entorpecido,
Amando-te para além da palavra existir… só para te ver…
E cair em teus braços, nosso prazer.
sexta-feira, 31 de maio de 2024
A obscura óbvia
A simples música, que te faz chorar, lagrimas carmim
Que por pedaços atrás de o que horas parecem,
Que para ti não era nada, irrisoriamente para mim,
Mas foram segundos, que outrora todos desconhecem
Todos os minutos de vácuo,
Em todos os sorrisos, que pareciam fogo fátuo,
Numa mistura de segredos, e incógnitas, e medos
Numa descoberta da serpente que nasce da terra,
Todos os pecados, todos os enredos,
De todas as histórias de serpente e uma serra,
As mensagens vêm de cima, de todos os futuros,
ELE bebe ambrosia e come da humanidade, em vinho,
Seus esforços e Seus frutos maduros,
ELE que continua nos nossos futuros duros,
ELE que maquina os nossos destinos, sozinho,
A música, que nos faz dançar, a mim, a ti a Deus e ao diabo,
Esta música que em minha dança e ritmo, sozinho começo e sozinho acabo!
Na peregrinação da vida, que me empurra pelas veias a poesia,
E no espírito que, sozinho vai e volta, à fonte da magia,
Onde talvez ninguém me encontre, a não ser os do outro lado,
Que fazem de seu tempo de sonho uma contra corrente,
Sítios que cada memória é partilhada
Apenas com os que costumam estar presente, e lembrar nada
Um sítio onde o inverosímil é o normal, e a realidade é o que é consciente,
Onde horas, passavam minutos, e minutos seriam segundos,
E cada lua, apesar de uma, seria dois diferentes mundos,
Em que cada demónio e Deus, Tudo se transmutasse,
Rolando à volta de si mesmo, no que chamamos espaço tempo,
Sendo gravidade e o momentum,
E então eu dizia-lhe, posso reagir assim,
Posso, claro, reagir assim, sim,
E tu que choras lágrimas falsas,
E tu uma das mais traiçoeiras comparças
quarta-feira, 29 de maio de 2024
Manifesto of the black flag of white truths
DAMN, i'd download one if i could
even though maybe should
I'd cover it in tarr
just to piss of the envyous
I'd fill the air with gaseous prose
that kills everybody's roses
Ashes to ashes,
dinossaurs to jungles of fire
our thirst for desire
is what makes or breaks us
we will burn wholes forests just for matches
and nobody will care... because
All we care is about what money buys and does
Information is freedom
knowledge is gold
whoever says cash is king
lives not in cash's kingdom
lives instead, with their soul sold
And will kill just for a ring
segunda-feira, 27 de maio de 2024
segunda-feira, 18 de março de 2024
Livros já publicados
sexta-feira, 1 de março de 2024
Asas
Penas de anjo vendem se como pães quentes
Como pães para crentes
Que, moralmente falando, não têm dentes
Vendem se a preço de ouro
Ou as de demónio a troco de casacos de couro
E asas de demónio, escuras como breu
As minhas são de céu
De meia noite, são silenciosas negras e escuras
E os que as vêem sofrem de males sem curas
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
5 haikai à dama dos olhos jade
Olhos de jade
Cor de oceano
Doce amargo
Timidamente
Provocadoramnte
Nos completamos
Tão grande frio
Mas no fim acabamos
Suando amor
Perplexo ainda
Te procuro não vendo
Na primavera
Vendaval quente
Que nos empurra para
Nos fazer juntar
segunda-feira, 8 de janeiro de 2024
Madrugada
Sinto-me só
e o tempo canta, solene em voz de pranto,
Estou só, sozinho, não fossem outros os meus vizinhos,
O sol nasce, e canta o vento, nas fragatas dos dias emancipados,
Que da lua nasceu a madrugada, e o sol nasceu de enfiada,
E vivo, crente em mim, e em pouco mais,
O resto que faço é tão vazio quanto as campas dos meus avós,
Tendo apenas ossos fugazes da putrefação,
Que traz de sua morte as minhas memórias.
Que na minha vida figuram como actores, ou melhor, figuravam,
E nos dias quentes o mar canta,
E nas noites frias todas as estrelas lá de cima me olham,
A madrugada mais escura do meu ser,
Vem de noite, e faço ainda tudo para ver se desta vez,
É ela que me vem a esquecer
A:M
I feel bewitched,
as though my very soul, besieged,
I feel taken abroad,
from myself,
from myself,
from myself,
Take what's truly me,
and show it unto me,
I want to know myself,
evey, smallest, deepest,
INCH OF MYSELF!
I am not a fraud,
I want to know my deepest,
Scariest,
Shadows, and fears,
I want to, in one blow, kill them all,
Or to drown them in tears,
I want to kill myself,
Only to be reborn,
Once, and then again,
Times again, and again,
I want to be reborn, unshackled,
Free, not slave, and perpetuated
Into the deepest, eternal reaches of God,
So that you'll all read me, and be awed.
Debaixo do manto da lua
Debaixo da lua,
Num manto,
A lua, nua,
Canto alto, um tanto quanto...
Bêbada, que se esconde, mas dança.
E quando o sol alcança...
O próprio horizonte,
A lua escapa,
Fica a monte,
Neste nosso monte,
A lua, debaixo duma capa,
Continua a brilhar
O momento cadente
Há, na batida, cadente, interminável, sincopada, batida
Uma magia, uma música esquecida,
Que, em contra tempo, marca o momento,
Cadenciando,
Recomeçando,
A acabar,
E pára, a meu mando,
Desvelando o manto,
E eu… caio, em pranto,
As dores, voltam,
As vozes matam,
As alucinações escoltam,
A surrealidade que montam.
Ningué~m~
Ninguém consegue encontrar amor, except tu,
Ninguém será capaz de apaziguar esta dor, excepto tu
Ninguém será capaz de viver contigo, excepto tu
A dor que escapa de mim pela respiração,
E adentro de mim volta a entrar, pelo chão,
É de indelével tinta, de eterna e imortal,
Tinta, inapagável, dolorosa tatuagem, em minha pele,
É mais que negra, mais que vazia, vem a cada mutação selene.
A vida vai e volta, os ciclos são não mais que infinitos,
Não menos que infinitos,
Eternos,
Repetidos,
E meus olhos, sinceros,
E meu coração despedaçado, feitos, eles também de pedaços,
Apenas sinto dor, outros sentimentos são escassos,
E os momentos do passado, meros…
Dolorosos, mas meros passados.
E nosso destinos descruzados.
domingo, 7 de janeiro de 2024
Espectrologia
Eu durmo de dia
Virado de cabeça para baixo, no sono
Perdido na minha ideia, do que o mundo seria
E meus cadernos, só eles, de secrecia
E minhas canetas, meu trono
Vôo já de madrugada
Os dias não me dizem nada
E vejo a sociedade sangrar
Como um poeta que não sabe rimar
O que escrevo, imortal
Neste mundo de surrralidade irreal
As opiniões dividem-se... Será?
Como eu, tal como com todos, ninguém há
Fotografo espectros e sombra
E na madrugada sou poeta
Louco, asceta
No sono e no surreal incerto sonho
O disco a girar o ponho
E a girar ele vai
Enquanto o pano cai
O gato, no qual me revejo
Por sangue, sedento, partilhando o meu ensejo
E a porta que por mais que me escondas
Todas as noites a transponho
O gira discos, a girar, lá vai
E então a cortina cai!...
Ainda, apesar, aliás, Ainda...
Atarantado, mesmerizado, em memórias sem sentido,
Perdido... Perdido,
O vazio deixado para trás,
Fico absorto, perdido,
Semi-morto, semi-esquecido,
Talvez se lembrem como era dantes,
As minhas palavras, cantadas,
As noites frias, mas quentes,
segunda-feira, 20 de novembro de 2023
I sing
I see your lips in the morning sun
I see your eyes among the clouds,
Even though i can’t find you I run
every time i think about you, I feel less proud,
I set myself ablaze, in the starry night
I wish I could lay upon you again, my sight,
I see your lips in the shade of the sea
I see your lips in the flowers and leaves of life,
I see your lips in the petals of the rose,
And still, my love for you grows,
And between us, not a single knife
Can cut the tie, of a red dye
A link made of string,
And so this song I sing.
sábado, 18 de novembro de 2023
quinta-feira, 9 de novembro de 2023
A noite infinita
A noite infinita
Quando olhei teus olhos,
Fui invadido por uma lua
Uma noite infinita,
Houve no meio um uivo de lobo
Que ecoa nos teus azuis olhos,
Houve um tintilar, ao som do vento
Uma canção, que não se ouvia,
Fui invadido por todo um universo,
No negro de teus azuis olhos,
Que se misturava com as cores da aurora,
E das mais belas safira,
Nunca, por nunca ser,
Saberia depois de morrer,
Se não te encontrasse,
Que tom de azul é esse,
No qual vejo rios, lagrimas,
Desafios e, inspirado por ti,
Muitas páginas,
De algo que não sei como desisti,
E depois de te ver,
Dormi durante semanas,
Sonhei com todas as personagens pessoanas
Tudo tentando te esquecer
Por um amor que não deveria ser,
E hoje os meus olhos farão o inverso,
Morderão a tua alma nua
Por um amor de uma manhã esquisita,
Se tu és agua, eu sou fogo,
Que não para, mas com consciência, sentimento,
Que já não sabe porque antes ardia,
O dia de amanhã preso no momento do agora,
Presos no grito que a nossa alma carpira,
Porque a tua água, meu fogo não extinguira,
A dança sem música
Há no tempo, encantamento de momento e de dança
Há na vida o morrer e o ser,
Há no mundo um rodar que a idade alcança
Que viver sem dançar é como morrer sem viver,
Há na música sem passado,
O tempo e os ritmos,
Há o presente, num algoritmo
Sem querer saber se é escutado
Há na música sem sons que todos escutam
Um coração em contratempo e sem fim
Na música contra a qual todos lutam
Sem nunca ganhar, um pouco de mim
Há na dança que é vida
Mais mascaras que pessoas vivas
Há aqueles que não sabem mas são como ferida,
Há também amantes, paixões, convivas,
Há uma memória do futuro perdida,
Mas a musica não será esquecida.
As mortes da vida insinuosa
Há perdido nas brumas,
O silêncio pelo qual esperas,
Que só vem quando fumas,
e que me lembra quem tu eras,
Ha no fumo do silêncio, calado,
Um ser ainda perdido, hipnotizado,
Um ser mesmerizado,
e talvez bebâdo, e um pouco apaixonado,
Ha na musica que se sente e vê
alguém que ao a ver não crê
Alguém que sem amor nem simpatia,
Não abre mão de sua magia,
E agora, eu fumo, faço...
do meu cansaço...
remédio para as dores que passo,
e para os meus olhos, cansados, um laço
E nas noites frias e chuvosas,
Há perdido entre luzes nebulosas,
Um ser que vagueia nos passeios, gritando filosofias raivosas,
Um ser que, estranho, escreve sem poesias, nem prosas,
as dores da alma, as dores da emoção,
e leva na manga o seu coração,
entre linhas paralelas, mas tortuosas,
a vida, a morte, as vidas que ele leva, e as mortes sinuosas,
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
quinta-feira, 12 de outubro de 2023
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
domingo, 30 de julho de 2023
Under a black flag
The fires, within me, set me ablaze
And betwixt flames and shadows, there is haze
There is smoke and light
And the moon, tonight
Shines ever so bright
Between the horizon and the sea
there's a silver line
That all it does, all it will ever do, is to shine
And the things that cannot be
Are like the mirage, that takes drunken sailors ashore
Craving for more,
They drink and smile, stealing the brits' tea
Selling it for doublons and rum
And then, between them, like brothers, divide the sum
Teu , meu , nosso amor
A noite cai
A lua, por detrás das nuvens sai
Mas, se o sol, doce, dourado sol
Não amanhã nascesse
E, se Deus à minha prece não atendesse...
Nas dualidades da vida, morte, luz... Escuridão
Não houvesse espaço para perdão,
Se mesmo no centro da multidão
Eu, apesar de acompanhado, sentisse a mais bela solidão,
Mesmo contigo apertada contra meu peito, sentindo teu coração,
Prevalecesse o sentimento de mútua paixão
Teus olhos enternecidos
Nossos abraços lânguidos
Agarraria tua mão...
Chamar-te-ia de perfeita, olhando tua imperfeição
segunda-feira, 3 de julho de 2023
The being of not
I'm pretty good at being a fake
I'm cheaper than ez bake
I'm allways empty no matter what I make
I'll allways follow your wake
But not even you from this slumber can help me wake
Just another breath of air I take
God has forgotten me yet still i forsake
Not sure whether I'll live or break
And in the days I'm just a specter
A mirage
And in the nights i wish I'd be not again never
Again, a mirage
Like pipe dreams,
Reality is so not what it seems!
tu cá, eu aqui, nós afastados
Teus olhos, ainda, me metem medo
Alguém sem saber, não saberia sequer que há entre nos segredo
Alguém saberia que não há,
talvez nem aqui, nem lá!
Não houvesse nada,
A não ser uma mão fechada,
uma memória plantada,
Onde nada é o que é
Onde eu ainda me perco em sonhos sem fé
Numa memória sem aqui nem ali, apenas um indistinto cá!
O reencontro
Todos os olhos perdem as cores,
então num mar plácido e calmo, onde me situo,
Este aroma ao qual me habituo,
E então, perdido de amores,
Reencontro a cor das tuas janelas, abertas mostrando a alma nua
e eu, abraço-te, dou-te um beijo na testa,
E agarro-me ao que de ti me resta
Minha alma ao lado da tua,
Idem, nua.
cruzes, credo, canhoto, destro, demonolatria, diabo, deus
Carrego comigo,
mais um amontoado de dores,
as duas caras de cada amigo,
perdem as cores,
Carrego comigo,
mais um amontoado de dissabores,
Carrego comigo,
mais cruzes que pecadores,
vivem, sendo de si próprios inimigo
Carrego comigo,
as tuas cruzes, as tuas aventuras,
as tuas maleitas, as tuas loucuras,
E comigo também todas as curas,
E ainda depois, talvez ainda seja teu amigo
sábado, 10 de junho de 2023
O agarra
O fumo subia,
Dançava e por ele a dentro ia
Consumia
Ele consumia-se
Pedras brancas e a sua consciência … ia-se
Ele fumava, solene
Ele fumava ironicamente,
Ele fumava, pedras brancas,
Ele fumava, inconscientemente
Ele fumava, e a mim doíam-me as ancas
Ele fumava, com umas calças creme
Sujas, e moribundo, ele fumava, aquilo que o próprio drogado
teme,
E sua mão, enquanto fuma, treme,
E ele fica … vai ficando.
E fuma, vai fumando,
Despede-se e fica na plataforma, mas no seu espirito já se foi embora.
terça-feira, 23 de maio de 2023
Mi(nhas)!
E a vida segue
E persegue,
E prossegue...
E tu ainda aqui estás
E tu o futuro ditarás
E eu não sei o que traz
o próximo minuto, hora segundo
E nao encontro o teu perfume neste mundo
E haver um segredo
Que não se partilha
Mas cuja memória brilha
No meio de sombras, destemido e sem medo
Na mais profunda floresta
Onde de sol há apenas um fresta
Onde a circunferência de deus tem sua aresta
Há o nosso acordo não falado
Sobre um obscuro passado
Ré(s)!
E dói-me em espaços
O quão sozinho me encontro no meio de tantos
E quão são escassos
E vejo nos cantos
Sombras de pessoas e gatos
E as corujas do mato
mas, perdido, e sem tato
Reencontro-me vagueando em recantos
Em prantos
Acolhido em luz de velas
O meu coração só conhece celas
Deambulo pelos crepúsculos
E vejo-me alheio
Encosto ao peito
Que a morte aceito
Que na verdade a morte fala a meu desrespeito
E não me leva para lá do Estige
Mas sim, a lembrar a tua esfinge
Na vida me procuro
Nas sombras brilho
Perco-me suspenso no atilho
E na noite me curo
Por desculpas que não se tecem
Por encontros que não acontecem
Por vidas que outros não conhecem
dó(!)r
Doem-me os cornos
E eu que nem sabia que era corno
Dói-me a vida, a alma, o corpo,
Depois de morrer oxalá fosse morto
Então absorto
Encontro-me morto
E vejo que sou nada
E ousada
Que eras
Roubando-me sonhos acordados
E eu que esquecia-os, roubado
Do que se tinha passado
e eu que esqueço os passados
Desejo morrer e ficar no solo plantado
E hoje esqueço
Amanhã sonho
Depois morro
Com um sorriso medonho
Para que tu não esqueças
Nao me reconheças
Para que eu durma
Às mais estranhas horas
Num mundo sem agoras,
Só depois(es), mas todos sabem
Eu bem sei
Que tu sabes, o que eu não lembro
E que nao sei, não me lembro
Mas tudo está no passado
Num agora despedaçado
Num presente inacabado
Num dia, em semanas, num bom bocado
sexta-feira, 19 de maio de 2023
vi-te atrás das sombras
Grita para dentro de mim
Leva até ao mudo êxtase de criação
Empurra-me para alem do abismo sem fim
Mas grita. Grita para dentro de mim
Provoca-me com o teu perfume
Enquanto eu te deixo em baixo lume
E fumo, depois vem o queixume
Dói-me que tenhas desaparecido
Mas em mim ainda te tenho, mas num reflexo partido
E tu fazes de mim esquecido
Mas na verdade sinto-me consumido
Usado, atraiçoado
Mesmerizado e calado
terça-feira, 9 de maio de 2023
O apotecário
Fumo, sem saber, mas fumo
e em espectros os meus sonhos se erguem
E a vida que levam na minha mente, para além de viva...
É também o que me leva...
Sinto que deste mundo, resumo,
O que não me convém, mas gosto de fumar com e sem conviva,
E a morfina, que me leva à treva...
Às alucinações que me pedem, e impedem...
Que ame a realidade, daí que dela fuja,
Então amo esta poesia
Que é, em si mesma, a sua magia,
Mas que a mim... me distingue da coruja!
segunda-feira, 8 de maio de 2023
O rio de chamas
Onde o rio pega fogo
Onde viver passa a ser jogo
O vilão ganha com o logro
De Deus Diabo é o sogro
Viver apenas para morrer,
espero que nunca me venham a esquecer
Na morte futura
Que, sem cura,
Deixa de viver
Para em mim existir
Sem que eu tenha que o pedir
Jogo de sentir os cosmos a viver
A lua cede ao sol, o céu e o caminho
Partilham umas horas nas alturas
E o eremita sozinho
É o mestre dos rituais e emoções puras
Que enquanto alma já conhece a morte
e também conhece o caronte
Que pede a ele próprio que a transporte
Ao monte mais invulgar
Acaba de acordar
E faz do seu caminho ao mais invulgar monte
Estás dormindo por entre ciprestes sempre verdes
Não estás morto pois que estás na mais invulgar colina
No meio de arvores e neblina
Não me deixem morrer sem ser em cima da mais invulgar colina
O céu cadente
O céu cadente
Do sol poente
Faz-me sentir indiferente
A lua que voa alta
E a pessoa que me faz falta
Fazem de mim doido, lunático, indigente
Sempre me senti diferente
Das pessoas e desta gente
E o sol que teima em arder
E o mar salgado que sempre vou ser
São os meus abrigos
Enquanto coisas sem sentidos
Enquanto meus amigos
domingo, 7 de maio de 2023
Mãe quem a tem...
Quem tem mãe tem tudo
Quando se perde o mundo vira mudo
Quem a perde, perde-se
Quem a perde... desenmerde-se
Vivo debaixo da asa
Sorte em ter minha mãe em casa
Ela deu-me ao mundo
Criou-me com amor profundo
Em breve saio a voar
Enquanto livre pássaro a assobiar
Cara mãe, sempre contigo no coração
Dedico-te este poema e to entrego em mão
domingo, 9 de abril de 2023
1,2,3,4, repete, sine fine
A cadência interminável do momento
Em que a névoa do julgamento
e o abismo do silêncio e esquecimento
Perde a surreal presença
O momento é como que água profunda
Ou areia movediça que afunda
Olhando o horizonte vê-se no longe
atrás da luz e sombra um monge
que na descrença morre e renasce
Numa vida levada à pressa
Seu corpo cheio de alma desfaz-se
A harmonia some colapsada
À distância rui agigantada
E de demónios que foi e anjos que se torna
E morrem na praia ao verem o horizonte
Nasce a lua que retorna
e enfeitiça o monte
Ophiussa sorri de noite em que o mocho canta
A serpente descansa e o poeta seus males espanta
O gato listrado caça
O diabo novo pão amassa.
domingo, 5 de março de 2023
sábado, 11 de fevereiro de 2023
nocturnus vitae
Viver sem amarras
Poder mostrar as garrasColher frutos e com a semente
Plantar novamente e eternamente
Viver solto e liberto
Viver feliz e desperto
Ver de longe e de perto
E descobrir o que não foi descoberto
Alcançar mais além
Viver sem ficar aquém
Viajar sem destino
Controlar nosso destino
Partir á descoberta
Viver sempre alerta
Viver sem medos
E não contar segredos
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
Vivendus moriandus est
O meu destino é escrito a sangue, carvão e runas e anjos e fadas
Que é surpresa escondida e magoada
Ao caber toda uma única na vida
Que se sente distraída
Ao almejar a sorte
Distraindo a morte
Ao dar lugar à vida
Ao escrever a entrada e saída
E por vezes a entrada de uma vida
Outros a reencarnação de vida vivida vividamente
E em sinais que me pagam
Amores e desamores que me matam
O coração desamarram
Centauro assustado
Sagrada fala profanada
Sem sabor a nada
Sem sabor a quem brada
Levanta a madrugada
De sangue na camisa desabotoada
Longe na distância
Sente se ânsia
Perto no fôlego de pessoa
Vê se quem não a nada soa
Mas perto já demais
Há quem morra sem país nem pais
Encantado por si mesmo
Vê seu reflexo como cisne
Para aprendiz nada vale
Leve seu mal
E se torne aventesmo
Que dê tudo prescinde
Morto na algibeira
Perdido na asa dianteira
Encontrado numa louceira
Perdido em pasmaceira
Aborrecido porque nem tudo se salva
Lava o cu com água de malva
Esquecido nunca , ele vivalma
Nadador em água plácida e calma
Amante de futuros risonhos
Encontrado sempre sem sonhos
Vive sonhando e sonha vivendo
Engana-se não se perdendo
Ama não quem não merece
Perdoa sempre quem merece
Olhos para descobrir e um para ver
Olhos são muitos, mais que três em meu ser
Perdendo minha mesmeza
Torno me dono de minha natureza
Alcançando nela a beleza
ReGanhando sapiência como fortaleza
Hoje honro o ontem e o amanhã
E a fruta que se mantém sã
Maçã de manhã
E de noite azeitona
Sempre de minha persona
Algures mortos pesquisam a zona
E outros por pouco ficam à tona
De si mesmos já morrendo de vontade
Outros ainda de valor pós vida
Que vivem vida
Sem perturbar outra vida
O Grito do Vazio
Todas as pedras da calçada desejam secamente o meu sangue
Todos os pequenos cantos aguçados imploram que eu neles bata com a cabeça
Todos os lances de escada anseiam pela minha queda
Todos os precipícios sem fundo gritam em voz vigorosa pedindo que me afogue
Agora eu, cansado, irremediavelmente cansado
Fumo este cigarro que me mata
E também ele me deseja a morte
Todas as noites bato com a cabeça na secura da insónia
Todos os dias desejo dormir e esquecer
Quando acordo desejo não o ter feito
Acordar é para mim sacrifício e sacrilégio
Tudo o que sonho vejo desaparecido e desencontrado
Deambulo sonâmbulo descrevendo círculos de dor
Apregoou o meu azar e a minha falta de ar
Perco me em divagações sem sentido algum
O que me dói não sei talvez seja o nada talvez seja tudo
Sinto me vazio no entanto cheio de dor
O que me completa foge de mim e atraiçoa me
Desconto mas atraso a cada dia a minha sentença de morte
Tudo grita impassível e alto em voz de sufoco
A dor que me consome manifesta se em tudo
Todas as vozes
Todas as imagens e todos os sons
Nas sensações
E nas dores que se distinguem em nuances de sofrimento e angústia
Pauso e sofro por momentos para esquecer que sofro e recuperar fôlego
Acolho a introspecção e nela me afundo
Momentos depois não sei distinguir o sonho da realidade da ficção
E acordo acordado durante o dia com suores e delírios
Até às pequenas alegrias servem apenas para afagar os sofrimentos que me consomem
As chatices que me assombram são imensas
E as saudades idem e além
Construo ideias de morte sem deixar que elas de mim se apoderem
Mas amanhã, sim, amanhã talvez seja o dia
Mas depois... Nunca é esse amanhã e as dores amontoam
E os cegos que vissem e os mocos que falassem pois amanhã nunca chega e hoje nunca muda
Todos os dias elaboro uma escapatória mas ela nunca chega
Não vejo luz quanto menos túnel
As alturas olham para mim tentando me
A lágrima que me escorre pelo olho pede para ser a última
Mas amanhã mais virão
Penso que um dia terá um fim
Mas esse dia nunca chega
E agora em meio de lágrimas salgadas clamo e imploro á janela que me deixe cair
E ao chão que me deixe morrer
Cada vez mais a janela me parece bela
E o chão uma sumidade
Todas as invejas dos outros serão castigadas
A inveja envenena o coração e mata por dentro
Como um rato de esgoto que se alimenta de ratoeiras
domingo, 3 de maio de 2015
O sonho ( parte 2)
sábado, 18 de abril de 2015
O sonho (parte 1)
domingo, 5 de abril de 2015
O mundo
terça-feira, 31 de março de 2015
O pergaminho
Resplandecente de lágrimas
quinta-feira, 26 de março de 2015
Running from yourself
To say the least i bring forth
The star of the north
And belzebub himself
And the yeast from the stars
Lika cats under cars
You're running from yourself
You look to the east
But there's nothing there
But the horizon of here
And you look like a beast
As you look to the west
Thump your chest
You're part of parts of the past
And i sail forth holding the mast
I look to the south
And i still feel salt in my mouth

