sábado, 28 de março de 2026

Tenho-o, o tempo

 Agora, 

Apenas agora,

Nesta mais sublime hora


Finalmente,


Tenho tempo…

Para até o mais lento pensamento


Agora,

Para conhecer o vento,


Para conhecer, este e aquele sentimento,


Para me perder em perfumes, de segredo,

Tenho tempo, para qualquer enredo


E o tempo consome-se

Na labareda que acende o cigarro,


Ou quando se vai embora,


Como a sombra de um chaparro,



Mas finalmente o tenho,

Mas, vejam, ele evade-se de mim,


Pois que, eu tenho fim,


Nem não, nem sim,


Simplesmente infinito


No qual me perco, e também ele em mim,

Fica, impermanente,

E linear, e fugidio,

E tenho-o, tempo,


E o tendo, ele me foge.

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