Acordo, a corda à volta dos meus pés, pendurado,
Vejo impressões digitais, em todo o lado,
Em todas as paredes, e escrevo, escrevo, com tinta indelével,
E sinto-me depleto, morto,
Enquanto bebo… bebo… bebo deste porto,
Sinto uma sensação inefável,
Bebedeira e imaginação
Ilusão e cegueira,
Perdão…
Estranha sensação,
Estranha esta beira,
Deste penhasco de loucura,
Que dá p’ra um infinito,
Quem dá nada, nada tem,
Quem tudo quer nada tem,
E é levado pela noite no grito,
Descobre-se a chapada que acorda qualquer um,
Segue-se um segundo, um terceiro e um quarto segundo,
Segue-se ante meus pés um mundo,
Pisá-lo, é , nunca, para qualquer um.
Vejo e revejo tudo em mim ante imagens
Belas paisagens, estranhas aragens,
Em todas elas no futuro, que está gravado,
No passado…
Destino-me a nada a não ser a areia do passar do tempo, o mais que faço leva-me o destino...
Desta vida carnal um simples, mais do que isso, simplíssimo peregrino,
Nada do que faço esconde de mim, nem dos outros a beleza que vejo, em contemplar,
Ah, agora tenho que pensar, um pouco, pelo menos, para comigo mesmo negociar,
O dia é de neve, que cai como adagas, e toca o sino,
Os fluxos do fumo refletem-se a si mesmos, nos quais eu vejo tudo,
Em espectros fantasmagóricos que bruxeleiam, nos quais o futuro me fala em vozes de mudo,
Olho-me ao espelho, não me reconheço, despeço-me, vou brincar com facas,
Algo que magoe, a mim, aos outros, facas, matracas, desde que alguém esteja a tocar umas maracas…
Aí tudo ganha um grande efeito cómico,
Aí até um acto terrorista pode ser icónico,
A ironia, o espectáculo desta vida, inacreditável
E que se contassem, ninguém acreditava, ninguém saberia,
A magia está aí, a magia,
Oh essa, essa, seus Deuses, seus entes, suas forças…
E Diabo, lá no fundo do inferno, sem saber por quem te tomar…