Tenho, de facto,
um prazer,
de ser
ExtRRRRemamente maquiavélico,
com os meus inimigos,
faço comigo, um pacto
de o continuar sendo
e rio-me deles, quando dizem "somos amigos"
Tenho, de facto,
um prazer,
de ser
ExtRRRRemamente maquiavélico,
com os meus inimigos,
faço comigo, um pacto
de o continuar sendo
e rio-me deles, quando dizem "somos amigos"
Sabota-me
que nem uma truta,
poiiiis
tentas mas não consegues!
O numero que mais dizes é o dois!
POOOIS!
Segue!... e tu... Logo segues.
Oh... (...)
Meto... a bota... Lá... (bem...(...))
Bem... assim... tal como cá!
A pouca e parca erva, consumida,
sempre com cerimónia, é perfeita, e bela de ser inspirada,
E sabe melhor (a pato até)
pois que ela mesma me é oferecida,
mal enche o buraco do dente,
embora isso, vem de boa gente,
dai que saiba melhor (e fico a limpar as penas do pato)
Até
Cassiel
o sabiamente sábio
sua poesia é bruttal,
embora isso, tal eu, e ele qual;
ambos mortal.
Tenho cara, cara de exaustão,
Exaustão clínica, dizem-me em tom de persuasão
Tenho cara, cara cadavérica,
E um semblante cansado,
Olho um bocado,
de maneira mesmérica,
Ouço tudo o que se passa, até de pássaros, o seu voo
e tudo o que sou, sou-o,
9 de mim me rodeiam a cada noite, que passo num falso dormir, num mau conforto,
E a cada dia mais me olham, mais vejo, e todo eu absorto,
Férias, clamo, e sinto-me morto.
Por um triz,
que não eramos apanhados,
Floresceste e encantaste-me,
Bebi da tua essência divina,
E agora, vejo te como página essencial de minha vida,
Ainda gostaria de esperar por ti,
Acho que o que eu, tu, e nosso conjunto eu,
Me pediu para ficar, e tu concordaste,
De ti não desisti,
e tu, foste censurada,
julgada,
Da tua essência,
Nossa quintessência,
Amo-te p'ra lá dessa conversa de almofada, p'ra qual não tenho paciência.
E tu... que sentes tu?
O mesmo que eu?
Os cornos, que pensava ter;
Invisíveis de se ver;
Nem sequer os tive, ilusão,
destacamento,
pensamento e encanto,
e recaída na paixão.
Nunca te esqueci de verdade,
estive em negação
O amor que tive,
em mim revive
E agora, agora... sinto simplesmente saudade.
Te amo ainda, e por ti procuro
Que sem ti, nada, nada mesmo, há outro veneno, que como tu me cure e contigo me curo
Be carefull what you wish for
it might just turn on you
it may just be the fae's
trying to score
dont waste your energy
Like hay...
use the synergy
wish the best and you shall reap
what you sow
so don't ego trip
Don't just sit
act on it
Don't waste neither your latin nor your spit
you be even
you'll be even
you shall should sleep on the issue
Or sometimes wish for a tissue
Wish to be free
Contemplo,
olho para dentro
Dentro é... o meu templo
Dentro, dentro, o centro
Lidero, por exemplo
pelo tempo, pela sorte
Que regozijo em meu templo
Vou vivendo, vou sendo
vou escrevendo,
Com tudo, com nada, com a vida,
e com uma moeda, não desperdiçada,
Invertida,
Um futuro, com uma vida,
Jamais inconcebível seja seu futuro,
que jamais por Deuses e Deusas tríplices,
Nenhum desses não ser seu cúmplice,
E nenhum dos S(s)eus inimigos,
Que se revelem perante ela seus reais cúmplices,
Que seja sua fortuna em grande sorte crescente
Que se faça seu favor no ano da serpente
Que venha ao mundo sorridente,
Que só Deus a possa levar quando morrer
Que haja no dia do seu nascimento uma aurora metálica em doces e maravilhosos cinzentos
Que todos os dias, semanas, anos, décadas e milénios, até de depois de sua noite, se celebre seu nascimento, Que se arte a foverecer e ela à arte, Que seus destinos subtilmente se cruzem, que As luzes da Aurora se façam grandes e todas a guerras se capitulem, de uma forma angélica,
pois que sangro desejo ser considerado de família,
Como que um gracioso fantasma invisível,
Pois que confiança com confiança se paga, e que a tríplice do vosso amor não se estrague, que seja até em sua vida Deíficada, que depois do casamento sangrada continue viva, em vida dignificada, a cada Aurora da melhor saturnina manhã e glorioso domingo de Aurora e sol dourado,, Sua mente seja louvada, a manhã aprazível, seja tratada por Deus com sua inteligência sensível, guiado por cada um dos arcanjos, e que seja convidada em casa de família, que tenha todos os dias os mais belos cabelos e cílias, e não atraia jamais a atenção ignóbil de motivos, que seja ela mesma da mais bela e nobre natureza, que cada sua Lua e Vênus a façam mais bela, que nem a prisão da mente se torne sua cela, que todo o mundo deixe ver o que revela, que nunca se apague de sua alma a vela, que para ela haja todas as certezas necessárias e mais algumas,
Que so Dues, seus amantes, seus pais e as mais sagradas ninfas naturais a vejam nua, e por último idém lhe desejo amor por toda a vida que por infortúnios jamais seja seguida, e que seu ser, sua mesmeza seja difícil de ser esquecida, nem sua beleza, por simples gula perseguida, que jamais seja mesmerizada, nem a troco de nada nem por Nemo.
I do like
to think twice
or even thrice
bout each advice
sometimes even that doesnt suffice
Sometimes you have to put em on ice
Oh, Lua, que estás tão grande acima do horizonte.
Que de tão grande, ou és feita de pensamento,
Ou de cimento.
Oh Lua, que estás, até madrugada que virá, a monte.
Oh Lua, tão artificial.
Feita de cimento e de metal.
Ou de pensamento filosofal.
Que cobres no céu teu lugar e de todas nossas loucuras.
Que estás por nos coberta de superstições,
Que na verdade, fazes parte de todas as imaginações,
Que afetas, de facto, nossas volições,
Que , no horizonte, ou no apogeu, ou no zénite,
Eu te vejo, Lua, em cada efeméride.
E só te vejo, porque vós, Lua, permite,
E, Lua, Vinde,
Vinde a nós, Lua, nos mortais, e vós Lua tão imortal.
Que se fosse possível, serias tu também feita de cimento e
metal,
Só para ajudar os negócios do nu macaco, ainda irracional.
Que troca tudo que tem, por algo que jamais terá, de forma
insciente.
E tu, Lua, omnisapiente,
Que nos olhas, do topo do céu, com tua cara tão leve, feita
de leveza,
Permite-me ver, debaixo de tua luz, no mundo a real beleza.
Dizem-me "cara de abençoado"
Só se for pelo diabo
dizem-me "és privilegiado"
Mas quando começo a contar dores, não acabo
Dizem-me "és inteligente"
Talvez demais para não ser indigente.
Dizem-me que escrevo bem
Mas no fim sou um Nemo, ninguém.
Dizem-me que tenho jeito para a escrita
Mas sinto-me indigno, da cena artística, um parasita
Sinto-me ignóbil, parado, amordaçado,
Sinto-me desperdiçado,
Sinto-me, enquanto escrevo, a escrever,
Que sou apenas um escritor a ser.
Penas de anjo vendem se como pães quentes
Como pães para crentes
Que, moralmente falando, não têm dentes
Vendem se a preço de ouro
Ou as de demónio a troco de casacos de couro
E asas de demónio, escuras como breu
As minhas são de céu
De meia noite, são silenciosas negras e escuras
E os que as vêem sofrem de males sem curas
Olhos de jade
Cor de oceano
Doce amargo
Timidamente
Provocadoramnte
Nos completamos
Tão grande frio
Mas no fim acabamos
Suando amor
Perplexo ainda
Te procuro não vendo
Na primavera
Vendaval quente
Que nos empurra para
Nos fazer juntar
Sinto-me só
e o tempo canta, solene em voz de pranto,
Estou só, sozinho, não fossem outros os meus vizinhos,
O sol nasce, e canta o vento, nas fragatas dos dias emancipados,
Que da lua nasceu a madrugada, e o sol nasceu de enfiada,
E vivo, crente em mim, e em pouco mais,
O resto que faço é tão vazio quanto as campas dos meus avós,
Tendo apenas ossos fugazes da putrefação,
Que traz de sua morte as minhas memórias.
Que na minha vida figuram como actores, ou melhor, figuravam,
E nos dias quentes o mar canta,
E nas noites frias todas as estrelas lá de cima me olham,
A madrugada mais escura do meu ser,
Vem de noite, e faço ainda tudo para ver se desta vez,
É ela que me vem a esquecer
I feel bewitched,
as though my very soul, besieged,
I feel taken abroad,
from myself,
from myself,
from myself,
Take what's truly me,
and show it unto me,
I want to know myself,
evey, smallest, deepest,
INCH OF MYSELF!
I am not a fraud,
I want to know my deepest,
Scariest,
Shadows, and fears,
I want to, in one blow, kill them all,
Or to drown them in tears,
I want to kill myself,
Only to be reborn,
Once, and then again,
Times again, and again,
I want to be reborn, unshackled,
Free, not slave, and perpetuated
Into the deepest, eternal reaches of God,
So that you'll all read me, and be awed.
Debaixo da lua,
Num manto,
A lua, nua,
Canto alto, um tanto quanto...
Bêbada, que se esconde, mas dança.
E quando o sol alcança...
O próprio horizonte,
A lua escapa,
Fica a monte,
Neste nosso monte,
A lua, debaixo duma capa,
Continua a brilhar
Há, na batida, cadente, interminável, sincopada, batida
Uma magia, uma música esquecida,
Que, em contra tempo, marca o momento,
Cadenciando,
Recomeçando,
A acabar,
E pára, a meu mando,
Desvelando o manto,
E eu… caio, em pranto,
As dores, voltam,
As vozes matam,
As alucinações escoltam,
A surrealidade que montam.
Ninguém consegue encontrar amor, except tu,
Ninguém será capaz de apaziguar esta dor, excepto tu
Ninguém será capaz de viver contigo, excepto tu
A dor que escapa de mim pela respiração,
E adentro de mim volta a entrar, pelo chão,
É de indelével tinta, de eterna e imortal,
Tinta, inapagável, dolorosa tatuagem, em minha pele,
É mais que negra, mais que vazia, vem a cada mutação selene.
A vida vai e volta, os ciclos são não mais que infinitos,
Não menos que infinitos,
Eternos,
Repetidos,
E meus olhos, sinceros,
E meu coração despedaçado, feitos, eles também de pedaços,
Apenas sinto dor, outros sentimentos são escassos,
E os momentos do passado, meros…
Dolorosos, mas meros passados.
E nosso destinos descruzados.
Eu durmo de dia
Virado de cabeça para baixo, no sono
Perdido na minha ideia, do que o mundo seria
E meus cadernos, só eles, de secrecia
E minhas canetas, meu trono
Vôo já de madrugada
Os dias não me dizem nada
E vejo a sociedade sangrar
Como um poeta que não sabe rimar
O que escrevo, imortal
Neste mundo de surrralidade irreal
As opiniões dividem-se... Será?
Como eu, tal como com todos, ninguém há
Fotografo espectros e sombra
E na madrugada sou poeta
Louco, asceta
No sono e no surreal incerto sonho
O disco a girar o ponho
E a girar ele vai
Enquanto o pano cai
O gato, no qual me revejo
Por sangue, sedento, partilhando o meu ensejo
E a porta que por mais que me escondas
Todas as noites a transponho
O gira discos, a girar, lá vai
E então a cortina cai!...
I see your lips in the morning sun
I see your eyes among the clouds,
Even though i can’t find you I run
every time i think about you, I feel less proud,
I set myself ablaze, in the starry night
I wish I could lay upon you again, my sight,
I see your lips in the shade of the sea
I see your lips in the flowers and leaves of life,
I see your lips in the petals of the rose,
And still, my love for you grows,
And between us, not a single knife
Can cut the tie, of a red dye
A link made of string,
And so this song I sing.
A noite infinita
Quando olhei teus olhos,
Fui invadido por uma lua
Uma noite infinita,
Houve no meio um uivo de lobo
Que ecoa nos teus azuis olhos,
Houve um tintilar, ao som do vento
Uma canção, que não se ouvia,
Fui invadido por todo um universo,
No negro de teus azuis olhos,
Que se misturava com as cores da aurora,
E das mais belas safira,
Nunca, por nunca ser,
Saberia depois de morrer,
Se não te encontrasse,
Que tom de azul é esse,
No qual vejo rios, lagrimas,
Desafios e, inspirado por ti,
Muitas páginas,
De algo que não sei como desisti,
E depois de te ver,
Dormi durante semanas,
Sonhei com todas as personagens pessoanas
Tudo tentando te esquecer
Por um amor que não deveria ser,
E hoje os meus olhos farão o inverso,
Morderão a tua alma nua
Por um amor de uma manhã esquisita,
Se tu és agua, eu sou fogo,
Que não para, mas com consciência, sentimento,
Que já não sabe porque antes ardia,
O dia de amanhã preso no momento do agora,
Presos no grito que a nossa alma carpira,
Porque a tua água, meu fogo não extinguira,
Há no tempo, encantamento de momento e de dança
Há na vida o morrer e o ser,
Há no mundo um rodar que a idade alcança
Que viver sem dançar é como morrer sem viver,
Há na música sem passado,
O tempo e os ritmos,
Há o presente, num algoritmo
Sem querer saber se é escutado
Há na música sem sons que todos escutam
Um coração em contratempo e sem fim
Na música contra a qual todos lutam
Sem nunca ganhar, um pouco de mim
Há na dança que é vida
Mais mascaras que pessoas vivas
Há aqueles que não sabem mas são como ferida,
Há também amantes, paixões, convivas,
Há uma memória do futuro perdida,
Mas a musica não será esquecida.
Há perdido nas brumas,
O silêncio pelo qual esperas,
Que só vem quando fumas,
e que me lembra quem tu eras,
Ha no fumo do silêncio, calado,
Um ser ainda perdido, hipnotizado,
Um ser mesmerizado,
e talvez bebâdo, e um pouco apaixonado,
Ha na musica que se sente e vê
alguém que ao a ver não crê
Alguém que sem amor nem simpatia,
Não abre mão de sua magia,
E agora, eu fumo, faço...
do meu cansaço...
remédio para as dores que passo,
e para os meus olhos, cansados, um laço
E nas noites frias e chuvosas,
Há perdido entre luzes nebulosas,
Um ser que vagueia nos passeios, gritando filosofias raivosas,
Um ser que, estranho, escreve sem poesias, nem prosas,
as dores da alma, as dores da emoção,
e leva na manga o seu coração,
entre linhas paralelas, mas tortuosas,
a vida, a morte, as vidas que ele leva, e as mortes sinuosas,
The fires, within me, set me ablaze
And betwixt flames and shadows, there is haze
There is smoke and light
And the moon, tonight
Shines ever so bright
Between the horizon and the sea
there's a silver line
That all it does, all it will ever do, is to shine
And the things that cannot be
Are like the mirage, that takes drunken sailors ashore
Craving for more,
They drink and smile, stealing the brits' tea
Selling it for doublons and rum
And then, between them, like brothers, divide the sum
A noite cai
A lua, por detrás das nuvens sai
Mas, se o sol, doce, dourado sol
Não amanhã nascesse
E, se Deus à minha prece não atendesse...
Nas dualidades da vida, morte, luz... Escuridão
Não houvesse espaço para perdão,
Se mesmo no centro da multidão
Eu, apesar de acompanhado, sentisse a mais bela solidão,
Mesmo contigo apertada contra meu peito, sentindo teu coração,
Prevalecesse o sentimento de mútua paixão
Teus olhos enternecidos
Nossos abraços lânguidos
Agarraria tua mão...
Chamar-te-ia de perfeita, olhando tua imperfeição
I'm pretty good at being a fake
I'm cheaper than ez bake
I'm allways empty no matter what I make
I'll allways follow your wake
But not even you from this slumber can help me wake
Just another breath of air I take
God has forgotten me yet still i forsake
Not sure whether I'll live or break
And in the days I'm just a specter
A mirage
And in the nights i wish I'd be not again never
Again, a mirage
Like pipe dreams,
Reality is so not what it seems!
Teus olhos, ainda, me metem medo
Alguém sem saber, não saberia sequer que há entre nos segredo
Alguém saberia que não há,
talvez nem aqui, nem lá!
Não houvesse nada,
A não ser uma mão fechada,
uma memória plantada,
Onde nada é o que é
Onde eu ainda me perco em sonhos sem fé
Numa memória sem aqui nem ali, apenas um indistinto cá!
Todos os olhos perdem as cores,
então num mar plácido e calmo, onde me situo,
Este aroma ao qual me habituo,
E então, perdido de amores,
Reencontro a cor das tuas janelas, abertas mostrando a alma nua
e eu, abraço-te, dou-te um beijo na testa,
E agarro-me ao que de ti me resta
Minha alma ao lado da tua,
Idem, nua.
Carrego comigo,
mais um amontoado de dores,
as duas caras de cada amigo,
perdem as cores,
Carrego comigo,
mais um amontoado de dissabores,
Carrego comigo,
mais cruzes que pecadores,
vivem, sendo de si próprios inimigo
Carrego comigo,
as tuas cruzes, as tuas aventuras,
as tuas maleitas, as tuas loucuras,
E comigo também todas as curas,
E ainda depois, talvez ainda seja teu amigo
O fumo subia,
Dançava e por ele a dentro ia
Consumia
Ele consumia-se
Pedras brancas e a sua consciência … ia-se
Ele fumava, solene
Ele fumava ironicamente,
Ele fumava, pedras brancas,
Ele fumava, inconscientemente
Ele fumava, e a mim doíam-me as ancas
Ele fumava, com umas calças creme
Sujas, e moribundo, ele fumava, aquilo que o próprio drogado
teme,
E sua mão, enquanto fuma, treme,
E ele fica … vai ficando.
E fuma, vai fumando,
Despede-se e fica na plataforma, mas no seu espirito já se foi embora.
E a vida segue
E persegue,
E prossegue...
E tu ainda aqui estás
E tu o futuro ditarás
E eu não sei o que traz
o próximo minuto, hora segundo
E nao encontro o teu perfume neste mundo
E haver um segredo
Que não se partilha
Mas cuja memória brilha
No meio de sombras, destemido e sem medo
Na mais profunda floresta
Onde de sol há apenas um fresta
Onde a circunferência de deus tem sua aresta
Há o nosso acordo não falado
Sobre um obscuro passado
E dói-me em espaços
O quão sozinho me encontro no meio de tantos
E quão são escassos
E vejo nos cantos
Sombras de pessoas e gatos
E as corujas do mato
mas, perdido, e sem tato
Reencontro-me vagueando em recantos
Em prantos
Acolhido em luz de velas
O meu coração só conhece celas
Deambulo pelos crepúsculos
E vejo-me alheio
Encosto ao peito
Que a morte aceito
Que na verdade a morte fala a meu desrespeito
E não me leva para lá do Estige
Mas sim, a lembrar a tua esfinge
Na vida me procuro
Nas sombras brilho
Perco-me suspenso no atilho
E na noite me curo
Por desculpas que não se tecem
Por encontros que não acontecem
Por vidas que outros não conhecem
Doem-me os cornos
E eu que nem sabia que era corno
Dói-me a vida, a alma, o corpo,
Depois de morrer oxalá fosse morto
Então absorto
Encontro-me morto
E vejo que sou nada
E ousada
Que eras
Roubando-me sonhos acordados
E eu que esquecia-os, roubado
Do que se tinha passado
e eu que esqueço os passados
Desejo morrer e ficar no solo plantado
E hoje esqueço
Amanhã sonho
Depois morro
Com um sorriso medonho
Para que tu não esqueças
Nao me reconheças
Para que eu durma
Às mais estranhas horas
Num mundo sem agoras,
Só depois(es), mas todos sabem
Eu bem sei
Que tu sabes, o que eu não lembro
E que nao sei, não me lembro
Mas tudo está no passado
Num agora despedaçado
Num presente inacabado
Num dia, em semanas, num bom bocado
Grita para dentro de mim
Leva até ao mudo êxtase de criação
Empurra-me para alem do abismo sem fim
Mas grita. Grita para dentro de mim
Provoca-me com o teu perfume
Enquanto eu te deixo em baixo lume
E fumo, depois vem o queixume
Dói-me que tenhas desaparecido
Mas em mim ainda te tenho, mas num reflexo partido
E tu fazes de mim esquecido
Mas na verdade sinto-me consumido
Usado, atraiçoado
Mesmerizado e calado
Fumo, sem saber, mas fumo
e em espectros os meus sonhos se erguem
E a vida que levam na minha mente, para além de viva...
É também o que me leva...
Sinto que deste mundo, resumo,
O que não me convém, mas gosto de fumar com e sem conviva,
E a morfina, que me leva à treva...
Às alucinações que me pedem, e impedem...
Que ame a realidade, daí que dela fuja,
Então amo esta poesia
Que é, em si mesma, a sua magia,
Mas que a mim... me distingue da coruja!
Onde o rio pega fogo
Onde viver passa a ser jogo
O vilão ganha com o logro
De Deus Diabo é o sogro
Viver apenas para morrer,
espero que nunca me venham a esquecer
Na morte futura
Que, sem cura,
Deixa de viver
Para em mim existir
Sem que eu tenha que o pedir
A lua cede ao sol, o céu e o caminho
Partilham umas horas nas alturas
E o eremita sozinho
É o mestre dos rituais e emoções puras
Que enquanto alma já conhece a morte
e também conhece o caronte
Que pede a ele próprio que a transporte
Ao monte mais invulgar
Acaba de acordar
E faz do seu caminho ao mais invulgar monte
Estás dormindo por entre ciprestes sempre verdes
Não estás morto pois que estás na mais invulgar colina
No meio de arvores e neblina
Não me deixem morrer sem ser em cima da mais invulgar colina
O céu cadente
Do sol poente
Faz-me sentir indiferente
A lua que voa alta
E a pessoa que me faz falta
Fazem de mim doido, lunático, indigente
Sempre me senti diferente
Das pessoas e desta gente
E o sol que teima em arder
E o mar salgado que sempre vou ser
São os meus abrigos
Enquanto coisas sem sentidos
Enquanto meus amigos
Quem tem mãe tem tudo
Quando se perde o mundo vira mudo
Quem a perde, perde-se
Quem a perde... desenmerde-se
Vivo debaixo da asa
Sorte em ter minha mãe em casa
Ela deu-me ao mundo
Criou-me com amor profundo
Em breve saio a voar
Enquanto livre pássaro a assobiar
Cara mãe, sempre contigo no coração
Dedico-te este poema e to entrego em mão
A cadência interminável do momento
Em que a névoa do julgamento
e o abismo do silêncio e esquecimento
Perde a surreal presença
O momento é como que água profunda
Ou areia movediça que afunda
Olhando o horizonte vê-se no longe
atrás da luz e sombra um monge
que na descrença morre e renasce
Numa vida levada à pressa
Seu corpo cheio de alma desfaz-se
A harmonia some colapsada
À distância rui agigantada
E de demónios que foi e anjos que se torna
E morrem na praia ao verem o horizonte
Nasce a lua que retorna
e enfeitiça o monte
Ophiussa sorri de noite em que o mocho canta
A serpente descansa e o poeta seus males espanta
O gato listrado caça
O diabo novo pão amassa.
Viver sem amarras
Poder mostrar as garrasO meu destino é escrito a sangue, carvão e runas e anjos e fadas
Que é surpresa escondida e magoada
Ao caber toda uma única na vida
Que se sente distraída
Ao almejar a sorte
Distraindo a morte
Ao dar lugar à vida
Ao escrever a entrada e saída
E por vezes a entrada de uma vida
Outros a reencarnação de vida vivida vividamente
E em sinais que me pagam
Amores e desamores que me matam
O coração desamarram
Sagrada fala profanada
Sem sabor a nada
Sem sabor a quem brada
Levanta a madrugada
De sangue na camisa desabotoada
Longe na distância
Sente se ânsia
Perto no fôlego de pessoa
Vê se quem não a nada soa
Mas perto já demais
Há quem morra sem país nem pais
Encantado por si mesmo
Vê seu reflexo como cisne
Para aprendiz nada vale
Leve seu mal
E se torne aventesmo
Que dê tudo prescinde
Morto na algibeira
Perdido na asa dianteira
Encontrado numa louceira
Perdido em pasmaceira
Aborrecido porque nem tudo se salva
Lava o cu com água de malva
Esquecido nunca , ele vivalma
Nadador em água plácida e calma
Amante de futuros risonhos
Encontrado sempre sem sonhos
Vive sonhando e sonha vivendo
Engana-se não se perdendo
Ama não quem não merece
Perdoa sempre quem merece
Olhos para descobrir e um para ver
Olhos são muitos, mais que três em meu ser
Perdendo minha mesmeza
Torno me dono de minha natureza
Alcançando nela a beleza
ReGanhando sapiência como fortaleza
Hoje honro o ontem e o amanhã
E a fruta que se mantém sã
Maçã de manhã
E de noite azeitona
Sempre de minha persona
Algures mortos pesquisam a zona
E outros por pouco ficam à tona
De si mesmos já morrendo de vontade
Outros ainda de valor pós vida
Que vivem vida
Sem perturbar outra vida
Todas as pedras da calçada desejam secamente o meu sangue
Todos os pequenos cantos aguçados imploram que eu neles bata com a cabeça
Todos os lances de escada anseiam pela minha queda
Todos os precipícios sem fundo gritam em voz vigorosa pedindo que me afogue
Agora eu, cansado, irremediavelmente cansado
Fumo este cigarro que me mata
E também ele me deseja a morte
Todas as noites bato com a cabeça na secura da insónia
Todos os dias desejo dormir e esquecer
Quando acordo desejo não o ter feito
Acordar é para mim sacrifício e sacrilégio
Tudo o que sonho vejo desaparecido e desencontrado
Deambulo sonâmbulo descrevendo círculos de dor
Apregoou o meu azar e a minha falta de ar
Perco me em divagações sem sentido algum
O que me dói não sei talvez seja o nada talvez seja tudo
Sinto me vazio no entanto cheio de dor
O que me completa foge de mim e atraiçoa me
Desconto mas atraso a cada dia a minha sentença de morte
Tudo grita impassível e alto em voz de sufoco
A dor que me consome manifesta se em tudo
Todas as vozes
Todas as imagens e todos os sons
Nas sensações
E nas dores que se distinguem em nuances de sofrimento e angústia
Pauso e sofro por momentos para esquecer que sofro e recuperar fôlego
Acolho a introspecção e nela me afundo
Momentos depois não sei distinguir o sonho da realidade da ficção
E acordo acordado durante o dia com suores e delírios
Até às pequenas alegrias servem apenas para afagar os sofrimentos que me consomem
As chatices que me assombram são imensas
E as saudades idem e além
Construo ideias de morte sem deixar que elas de mim se apoderem
Mas amanhã, sim, amanhã talvez seja o dia
Mas depois... Nunca é esse amanhã e as dores amontoam
E os cegos que vissem e os mocos que falassem pois amanhã nunca chega e hoje nunca muda
Todos os dias elaboro uma escapatória mas ela nunca chega
Não vejo luz quanto menos túnel
As alturas olham para mim tentando me
A lágrima que me escorre pelo olho pede para ser a última
Mas amanhã mais virão
Penso que um dia terá um fim
Mas esse dia nunca chega
E agora em meio de lágrimas salgadas clamo e imploro á janela que me deixe cair
E ao chão que me deixe morrer
Cada vez mais a janela me parece bela
E o chão uma sumidade
Todas as invejas dos outros serão castigadas
A inveja envenena o coração e mata por dentro
Como um rato de esgoto que se alimenta de ratoeiras