quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Caneta e papel

Tudo o que vem

À caneta é papel

Então escrevo 

domingo, 30 de julho de 2023

Under a black flag

The fires, within me, set me ablaze

And betwixt flames and shadows, there is haze

There is smoke and light

And the moon, tonight

Shines ever so bright



Between the horizon and the sea

there's a silver line

That all it does, all it will ever do, is to shine


And the things that cannot be

Are like the mirage, that takes drunken sailors ashore

Craving for more, 

They drink and smile, stealing the brits' tea

Selling it for doublons and rum

And then, between them, like brothers, divide the sum



Teu , meu , nosso amor

 A noite cai

A lua, por detrás das nuvens sai

Mas, se o sol, doce, dourado sol

Não amanhã nascesse

E, se Deus à minha prece não atendesse...


Nas dualidades da vida, morte, luz... Escuridão

Não houvesse espaço para perdão,

Se mesmo no centro da multidão

Eu, apesar de acompanhado, sentisse a mais bela solidão,

Mesmo contigo apertada contra meu peito, sentindo teu coração,

Prevalecesse o sentimento de mútua paixão

Teus olhos enternecidos

Nossos abraços lânguidos

Agarraria tua mão...

Chamar-te-ia de perfeita, olhando tua imperfeição


segunda-feira, 3 de julho de 2023

The being of not

 I'm pretty good at being a fake

I'm cheaper than ez bake

I'm allways empty no matter what I make

I'll allways follow your wake

But not even you from this slumber can help me wake

Just another breath of air I take

God has forgotten me yet still i forsake

Not sure whether I'll live or break

And in the days I'm just a specter

A mirage
And in the nights i wish I'd be not again never


Again, a mirage

Like pipe dreams, 
Reality is so not what it seems!

tu cá, eu aqui, nós afastados

 Teus olhos, ainda, me metem medo

Alguém sem saber, não saberia sequer que há entre nos segredo


Alguém saberia que não há,

talvez nem aqui, nem lá!

Não houvesse nada, 

A não ser uma mão fechada,

uma memória plantada,

Onde nada é o que é

Onde eu ainda me perco em sonhos sem fé

Numa memória sem aqui nem ali, apenas um indistinto cá!

O reencontro

 Todos os olhos perdem as cores,

então num mar plácido e calmo, onde me situo,

Este aroma ao qual me habituo,

E então, perdido de amores,

Reencontro a cor das tuas janelas, abertas mostrando a alma nua


e eu, abraço-te, dou-te um beijo na testa,

E agarro-me ao que de ti me resta


Minha alma ao lado da tua, 

Idem, nua.

cruzes, credo, canhoto, destro, demonolatria, diabo, deus

 Carrego comigo, 

mais um amontoado de dores,

as duas caras de cada amigo,

perdem as cores,


Carrego comigo,

mais um amontoado de dissabores,

Carrego comigo,

mais cruzes que pecadores,

vivem, sendo de si próprios inimigo


Carrego comigo,

as tuas cruzes, as tuas aventuras,

as tuas maleitas, as tuas loucuras,

E comigo também todas as curas,

E ainda depois, talvez ainda seja teu amigo

sábado, 10 de junho de 2023

O agarra

 O fumo subia,

Dançava e por ele a dentro ia

Consumia

Ele consumia-se

Pedras brancas e a sua consciência … ia-se

 

Ele fumava, solene

Ele fumava ironicamente,

Ele fumava, pedras brancas,

Ele fumava, inconscientemente

Ele fumava, e a mim doíam-me as ancas

Ele fumava, com umas calças creme

Sujas, e moribundo, ele fumava, aquilo que o próprio drogado teme,

E sua mão, enquanto fuma, treme,

E ele fica … vai ficando.

E fuma, vai fumando,


Despede-se e fica na plataforma, mas no seu espirito já se foi embora.

terça-feira, 23 de maio de 2023

Mi(nhas)!

E a vida segue

E persegue, 

E prossegue...


E tu ainda aqui estás

E tu o futuro ditarás

E eu não sei o que traz

o próximo minuto, hora segundo

E nao encontro o teu perfume neste mundo


E haver um segredo

Que não se partilha

Mas cuja memória brilha

No meio de sombras, destemido e sem medo


Na mais profunda floresta

Onde de sol há apenas um fresta

Onde a circunferência de deus tem sua aresta

Há o nosso acordo não falado

Sobre um obscuro passado

Ré(s)!

 E dói-me em espaços

O quão sozinho me encontro no meio de tantos

E quão são escassos

E vejo nos cantos

Sombras de pessoas e gatos

E as corujas do mato

mas, perdido, e sem tato

Reencontro-me vagueando em recantos

Em prantos

Acolhido em luz de velas

O meu coração só conhece celas


Deambulo pelos crepúsculos

E vejo-me alheio

Encosto ao peito

Que a morte aceito

Que na verdade a morte fala a meu desrespeito

E não me leva para lá do Estige

Mas sim, a lembrar a tua esfinge


Na vida me procuro

Nas sombras brilho

Perco-me suspenso no atilho

E na noite me curo


Por desculpas que não se tecem

Por encontros que não acontecem

Por vidas que outros não conhecem

dó(!)r

 Doem-me os cornos
E eu que nem sabia que era corno

Dói-me a vida, a alma, o corpo,

Depois de morrer oxalá fosse morto


Então absorto

Encontro-me morto

E vejo que sou nada

E ousada

Que eras

Roubando-me sonhos acordados

E eu que esquecia-os, roubado

Do que se tinha passado

e eu que esqueço os passados

Desejo morrer e ficar no solo plantado


E hoje esqueço

Amanhã sonho

Depois morro

Com um sorriso medonho


Para que tu não esqueças

Nao me reconheças


Para que eu durma

Às mais estranhas horas

Num mundo sem agoras,

Só depois(es), mas todos sabem

Eu bem sei

Que tu sabes, o que eu não lembro

E que nao sei, não me lembro


Mas tudo está no passado

Num agora despedaçado

Num presente inacabado

Num dia, em semanas, num bom bocado

sexta-feira, 19 de maio de 2023

vi-te atrás das sombras

 Grita para dentro de mim

Leva até ao mudo êxtase de criação

Empurra-me para alem do abismo sem fim

Mas grita. Grita para dentro de mim

 

Provoca-me com o teu perfume

Enquanto eu te deixo em baixo lume

E fumo, depois vem o queixume

 

Dói-me que tenhas desaparecido

Mas em mim ainda te tenho, mas num reflexo partido

E tu fazes de mim esquecido

Mas na verdade sinto-me consumido

 

Usado, atraiçoado

Mesmerizado e calado

terça-feira, 9 de maio de 2023

O apotecário

 Fumo, sem saber, mas fumo

e em espectros os meus sonhos se erguem

E a vida que levam na minha mente, para além de viva...

É também o que me leva...

Sinto que deste mundo, resumo,

O que não me convém, mas gosto de fumar com e sem conviva,

E a morfina, que me leva à treva...

Às alucinações que me pedem, e impedem...

Que ame a realidade, daí que dela fuja, 

Então amo esta poesia

Que é, em si mesma, a sua magia,

Mas que a mim...  me distingue da coruja!

segunda-feira, 8 de maio de 2023

O rio de chamas

 Onde o rio pega fogo

Onde viver passa a ser jogo
O vilão ganha com o logro
De Deus Diabo é o sogro


Viver apenas para morrer,

espero que nunca me venham a esquecer
Na morte futura
Que, sem cura,
Deixa de viver
Para em mim existir

Sem que eu tenha que o pedir

Jogo de sentir os cosmos a viver

 A lua cede ao sol, o céu e o caminho

Partilham umas horas nas alturas

E o eremita sozinho

É o mestre dos rituais e emoções puras

Que enquanto alma já conhece a morte
e também conhece o caronte

Que pede a ele próprio que a transporte
Ao monte mais invulgar
Acaba de acordar
E faz do seu caminho ao mais invulgar monte

Estás dormindo por entre ciprestes sempre verdes

Não estás morto pois que estás na mais invulgar colina

No meio de arvores e neblina
Não me deixem morrer sem ser em cima da mais invulgar colina

O céu cadente

O céu cadente

Do sol poente

Faz-me sentir indiferente


A lua que voa alta

E a pessoa que me faz falta

Fazem de mim doido, lunático, indigente

Sempre me senti diferente

Das pessoas e desta gente


E o sol que teima em arder

E o mar salgado que sempre vou ser

São os meus abrigos

Enquanto coisas sem sentidos

Enquanto meus amigos

domingo, 7 de maio de 2023

Mãe quem a tem...

 Quem tem mãe tem tudo

Quando se perde o mundo vira mudo


Quem a perde, perde-se  

Quem a perde... desenmerde-se


Vivo debaixo da asa

Sorte em ter minha mãe em casa


Ela deu-me ao mundo

Criou-me com amor profundo


Em breve saio a voar

Enquanto livre pássaro a assobiar

Cara mãe, sempre contigo no coração

Dedico-te este poema e to entrego em mão

domingo, 9 de abril de 2023

1,2,3,4, repete, sine fine

 

A cadência interminável do momento

Em que a névoa do julgamento

e o abismo do silêncio e esquecimento

Perde a surreal presença

O momento é como que água profunda

Ou areia movediça que afunda


Olhando o horizonte vê-se no longe

atrás da luz e sombra um monge

que na descrença morre e renasce

Numa vida levada à pressa

Seu corpo cheio de alma desfaz-se


A harmonia some colapsada

À distância rui agigantada

E de demónios que foi e anjos que se torna

E morrem na praia ao verem o horizonte

Nasce a lua que retorna

e enfeitiça o monte

Ophiussa sorri de noite em que o mocho canta

A serpente descansa e o poeta seus males espanta


O gato listrado caça

O diabo novo pão amassa.

domingo, 5 de março de 2023


 


Na serra, ainda os espíritos fazem guerra

Na serra a lua faz o rito que em si mesma encerra

Na serra a água que sangra da terra

Volta ao mar, perdendo-se em lágrimas felizes

O sol não acredita no que dizes,

E a religião que de si mesma se perde

Não sabe do que foi, e do que ela ainda se ergue


sábado, 11 de fevereiro de 2023

nocturnus vitae

 Viver sem amarras

Poder mostrar as garras
Colher frutos e com a semente
Plantar novamente e eternamente

Viver solto e liberto
Viver feliz e desperto
Ver de longe e de perto
E descobrir o que não foi descoberto

Alcançar mais além
Viver sem ficar aquém
Viajar sem destino
Controlar nosso destino

Partir á descoberta
Viver sempre alerta
Viver sem medos
E não contar segredos

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Vivendus moriandus est

 O meu destino é escrito a sangue, carvão e runas e anjos e fadas

Que é surpresa escondida e magoada

Ao caber toda uma única na vida

Que se sente distraída

Ao almejar a sorte

Distraindo a morte

Ao dar lugar à vida

Ao escrever a entrada e saída

E por vezes a entrada de uma vida

Outros a reencarnação de vida vivida vividamente

E em sinais que me pagam 

Amores e desamores que me matam

O coração desamarram

Centauro assustado

 Sagrada fala profanada

Sem sabor a nada

Sem sabor a quem brada

Levanta a madrugada

De sangue na camisa desabotoada


Longe na distância

Sente se ânsia


Perto no fôlego de pessoa

Vê se quem não a nada soa

Mas perto já demais

Há quem morra sem país nem pais


Encantado por si mesmo

Vê seu reflexo como cisne

Para aprendiz nada vale

Leve seu mal

E se torne aventesmo 

Que dê tudo prescinde



Morto na algibeira

Perdido na asa dianteira

Encontrado numa louceira

Perdido em pasmaceira


Aborrecido porque nem tudo se salva

Lava o cu com água de malva

Esquecido nunca , ele vivalma

Nadador em água plácida e calma


Amante de futuros risonhos

Encontrado sempre sem sonhos


Vive sonhando e sonha vivendo

Engana-se não se perdendo

Ama não quem não merece

Perdoa sempre quem merece


Olhos para descobrir e um para ver

Olhos são muitos, mais que três em meu ser

Perdendo minha mesmeza

Torno me dono de minha natureza

Alcançando nela a beleza

ReGanhando sapiência como fortaleza

Hoje honro o ontem e o amanhã

E a fruta que se mantém sã

Maçã de manhã

E de noite azeitona

Sempre de minha persona

Algures mortos pesquisam a zona

E outros por pouco ficam à tona

De si mesmos já morrendo de vontade

Outros ainda de valor pós vida

Que vivem vida

Sem perturbar outra vida


O Grito do Vazio

Todas as pedras da calçada desejam secamente o meu sangue

Todos os pequenos cantos aguçados imploram que eu neles bata com a cabeça

Todos os lances de escada anseiam pela minha queda

Todos os precipícios sem fundo gritam em voz vigorosa pedindo que me afogue

Agora eu, cansado, irremediavelmente cansado

Fumo este cigarro que me mata

E também ele me deseja a morte

Todas as noites bato com a cabeça na secura da insónia

Todos os dias desejo dormir e esquecer

Quando acordo desejo não o ter feito 

Acordar é para mim sacrifício e sacrilégio

Tudo o que sonho vejo desaparecido e desencontrado

Deambulo sonâmbulo descrevendo círculos de dor

Apregoou o meu azar e a minha falta de ar

Perco me em divagações sem sentido algum

O que me dói não sei talvez seja o nada talvez seja tudo

Sinto me vazio no entanto cheio de dor

O que me completa foge de mim e atraiçoa me

Desconto mas atraso a cada dia a minha sentença de morte

Tudo grita impassível e alto em voz de sufoco

A dor que me consome manifesta se em tudo

Todas as vozes

Todas as imagens e todos os sons

Nas sensações

E nas dores que se distinguem em nuances de sofrimento e angústia 

Pauso e sofro por momentos para esquecer que sofro e recuperar fôlego

Acolho a introspecção e nela me afundo

Momentos depois não sei distinguir o sonho da realidade da ficção

E acordo acordado durante o dia com suores e delírios

Até às pequenas alegrias servem apenas para afagar os sofrimentos que me consomem

As chatices que me assombram são imensas 

E as saudades idem e além

Construo ideias de morte sem deixar que elas de mim se apoderem 

Mas amanhã, sim, amanhã talvez seja o dia

Mas depois... Nunca é esse amanhã e as dores amontoam

E os cegos que vissem e os mocos que falassem pois amanhã nunca chega e hoje nunca muda

Todos os dias elaboro uma escapatória mas ela nunca chega

Não vejo luz quanto menos túnel

As alturas olham para mim tentando me

A lágrima que me escorre pelo olho pede para ser a última

Mas amanhã mais virão

Penso que um dia terá um fim

Mas esse dia nunca chega

E agora em meio de lágrimas salgadas clamo e imploro á janela que me deixe cair

E ao chão que me deixe morrer

Cada vez mais a janela me parece bela

E o chão uma sumidade

Todas as invejas dos outros serão castigadas

A inveja envenena o coração e mata por dentro

Como um rato de esgoto que se alimenta de ratoeiras


domingo, 3 de maio de 2015

O sonho ( parte 2)

Escrevo sonhando
Espírito-me voando
Os sonhos são como um mar
E obrigatórios quanto respirar
Ondulam docemente
Bruxeleiam de forma demente
E eu... sonho e fujo
Num penhasco de loucura
Me elevo e rujo
E então me perco no sonho
Perco-me na realidade que é como um sonho
E não sei se existe sonhando
Ou se sonho vivendo

sábado, 18 de abril de 2015

O sonho (parte 1)

Há sonhos
Sonhos que ondulam docemente e belos
Sonhos que viajam dentro de mim
Sonhos que ondulam sem fim nem elos

Lentamente no seu fim
Volto a ser eu e alma
Sonho lucidamente e desapegado da realidade
Mas essa teima em voltar
Acordo com calma
Ainda no sonho a pensar
E com vontade de lá voltar


domingo, 5 de abril de 2015

O mundo

Não me tragam ciência
Pois que vivo da eloquência
Inconsciência será pensar
Que este mundo é teu para dar
Ninguém mo dá, dará ou deu
Mas ele é irrevogavelmente meu

terça-feira, 31 de março de 2015

O pergaminho

Corro por linhas ansiosas 
De cabelo desgrenhado
Com todo meu ser enfastiado
Olho raivosamente tua face
E espero que este amor passe

Corro ansiosamente por linhas raivosas
E sinto-me perdido
Encontrado em linhas paralelas
(sem sentido)
Em paisagens belas

Escrevo neste pergaminho
Minha sina e minha vergonha
Minha vida medonha
E meu ser sozinho

Resplandecente de lágrimas
Escrevo sem páginas

quinta-feira, 26 de março de 2015

Running from yourself

Back where you are i am not
To say the least i bring forth
The star of the north
And belzebub himself
And the yeast from the stars
Lika cats under cars
You're running from yourself
You look to the east
But there's nothing there
But the horizon of here
And you look like a beast
As you look to the west
Thump your chest
You're part of parts of the past
And i sail forth holding the mast
I look to the south
And i still feel salt in my mouth

sábado, 21 de março de 2015

O divino dividido e a arte não sentida

Há neste mundo uma estranha sublevação
Aspídes preparam suas cuspídes e atacam
Há neste mundo uma estranha crença na população
As vidas caem no ópio e não se levantarão

Pessoas crêem em algo divino
Mas seu deus é um mentiroso suíno
Há neste mundo um deus em cada céu 
Pessoas não o olham do topo do seu chapéu

Há neste mundo uma estranha mudez
As pessoas perdem o espírito e a mesmeza
Não falam das disfémicas verdades
Perdem-se em ilusões de realidades

Cada falsa realidade é um dogma
A sua veracidade eles rogam

Há em cada música um mudo falando
Escuta-o o surdo não lembrando 
Que seus destinos são criados por si

Bruxeleiam perante mim notas absurdas
Notas que fazem de si mesmas surdas
Não são escutadas nem sentidas
A arte perdeu o sentido de si

As pessoas falam mas não sentem os sons
As pessoas pintam mas não escutam os tons




quarta-feira, 18 de março de 2015

Um sentimento sem palavras

Tão indistintamente me olhas
Tão certamente me vês
E se te sentes então sente-me
E a vida que te sinta

A roleta russa

Jogar à roleta russa com a vida
Jogar por jogar e sem querer saber
Jogar por jogar e sem querer saber....
Jogar à roleta russa não faz nenhuma ferida.

Jogar à roleta russa com a mente bem despida
Jogar por jogar e sem saber porque
Jogar por jogar sem querer saber porque
Jogar à roleta russa com alma bem vestida.

Jogar à roleta russa sem medo de sentir
Jogar à roleta russa sem medo de nada
Jogar à roleta russa sem querer saber de nada
Jogar à roleta russa sem medo de não sentir.

Jogar com vida presa no gatilho
Jogar com a vida.
Jogar.

segunda-feira, 16 de março de 2015

O caronte e o rico

Tu até podes tentar a sorte
Mas eu não sou a morte
E a tua alma ainda não merece transporte

Eu sou o Caronte deste rio
O barqueiro do Estio
Levarei a tua alma nesta barca
Vinda da tua vida que dirás parca

Mas ouve-me agora
Isto que te digo em boa hora
Esta verdade que te digo com toda a seriedade
Aqui não vale nem ouro nem prata
Tens de trazer daquilo que agora te mata
Um sorriso e uma lágrima
Para virares a página
Escreveres um novo capitulo
Mas não estás sozinho
Terás sempre um discípulo
E as dores que trazes da vida (?)
Ocultarei eu com vestes essa ferida



domingo, 15 de março de 2015

a verdade

Por todas as pessoas que existem existe em contrapartida uma verdade
Por todas as seriedades que se escondem nos olhos há uma pequena verdade
Por todos os olhos falsos que existem há uma maior falsidade

Teus olhos são verdadeiros e tua alma perfeita
Olho-te agora com a alma refeita
E penso
Penso...
Como pode alguém ser tão belo
Mesmo com um sorriso amarelo 

Como pode ser que tu sejas tão bela 
E no entanto imperfeita?

Não procuro a perfeição 
Procuro sim a verdade 
Verdade essa que encontro em ti
Verdade escondida quando tu sorris


segunda-feira, 9 de março de 2015

O acordar

Acordo por entre olhos de estranhos
E a divagar me ponho a andar
Lentamente (oh tão... tão lentamente)
Quando algo me toca
Leve (oh ... tão levemente)
Faz de minha alma roca
E suspira no meu respirar
E diz-me ao ouvido
Se quando partires desta 'pa melhor
E deixares o mundo
No teu ultimo
Suspiro
Profundo
'Pra todos um sitio melhor
A tua alma será maior
E esse empréstimo
Que chamas de corpo 
Terá um sorriso mesmo ja morto

quarta-feira, 4 de março de 2015

O injustiçado



Acordei... não sabia onde estava mas a escuridão que me toldava o olhar não me deixava ver o que fosse. Sondei o meu redor à procura de algo… o que descobri era que eu estava deitado em cimento e o tecto, a dois centímetros da minha cabeça, era também ele de cimento. Havia alguma coisa a faiscar à distância. Aproximei-me. Algo me dizia que era a minha culpa que eu estava naquele sitio mas não me lembrava de um passado nem presente nem distante qualquer, era como se ali tivesse nascido. Rolei para os lados a tentar escapar mas havia alguma coisa ao meu lado viscosa. Era um morto … quem, não sabia. As faíscas começaram a iluminar-me o caminho que quanto mais avançava mais estreito se tornava. A vida como eu a conhecia era estranha e soturna a única lembrança que possuía era um sorriso mal escondido na cara de um desconhecido e esse sorriso agora acompanhava-me. As faíscas iluminaram o tecto e pude ler em letras mal escrevinhadas “justiça foi feita”. Então que teria eu feito para morrer num lugar daqueles? A justiça não pode ser unilateral mas tem de ser consensual o que para mim é obvio para outros nem é justificável. Apenas os injustiçados conhecem o verdadeiro poder da justiça e também a sua inevitabilidade.

O meu eu que não sou eu

Eu sou uma pessoa
Nervosa por natureza
Eu e meus assíndetos, aliterações, assonâncias (…)
Eu sou ateu
E escrevo deus em vez de Deus
Porque tanto como se me como se me deu!
Erros ortográficos meus
Criam-nos os meus eus
Que são tantos e tão variados
Que hoje escrevo à Mário Zambujal
… e tal..
E quiçá amanha

Escreva uma escrita que divaga inerte e vaga

O pássaro azul

Cassiel Porto era um homem de larga idade, levava uma triste e solitária vida. Sua casa era pequena, pouco mobilada e solitária. Ele levava a vida na esperança da reforma pois tinha 64 anos embora não o aparentasse por causa de seus olhos tristes e rugas vincadíssimas.
Então chegara mais um dia naquela sua enfastiante vida mas ele acordara com um pássaro cantando dentro de seu quarto. – Mas que raio?
Afugentou o seu pássaro, pois que ele o tornara seu dono, mas ele se recusou a partir. Pousou sob seu ombro e cantou a seu ouvido uma melancolia soturna, uma ode à vida e à morte, uma antítese paradoxal. – Mas que raio?
Então como se nada fosse continuou seu dia mas sempre com o incómodo de seu pássaro que apesar de não gostar se tornava habituado. Aquele incómodo era bastante peculiar e atraia a atenção dos transeuntes que na rua indiscretamente olhavam, alguns riam outros comentavam mas a nenhum escapara aquele pormenor. O pássaro cantava agora feliz abanando as asas, esbracejando diriam alguns, mas a sua melodia tornara-se ainda mais sinistra. Cassiel quase que juraria que o pássaro falava em alguma língua cantada que ainda não havia sido inventada. O vento que se fazia sentir não abalava o pássaro que cantava feliz uma sinfonia sinistra que começava aos ouvidos de Cassiel a zumbir. Apesar de haver mil e um pássaros iguais a este que voavam livres pela rua ele não desistia de seu novo poiso quente e confortável e o seu canto belo mas infeliz fazia-se notar tanto que os moradores daquela rua abriam as janelas e olhavam com espanto e admiração à procura da origem daquela triste melodia.

Depois de uma curta viagem chegou ao seu trabalho mas o seu pássaro não fugia apesar da situação claustrofóbica em que se encontrava. O vagão de piloto de uma carruagem de metro abarrotada de controlos e maquinarias.

Todo o seu dia havia sido cantado por um pássaro que não havia desejado a liberdade mas sim infernizar ainda mais o inferno vivo de um mortal que não o desejava.

Então durante a noite quando ele caíra na inactividade do sono profundo sonhou que o pássaro, aquele belíssimo rouxinol azul, era o fantasma de sua querida Inês que desaparecera de sua vida no dia em haviam ido à ópera ver uma sinistra ópera à qual ele tinha ido vestida de azul e após a qual ela se negara a viver mais com o seu amante.

Foi durante essa mesma noite que o pássaro fugiu mas não sem antes lhe segredar ao ouvido: eu amo-te. Ele acordou sobressaltado pois se apercebera da veracidade de seu sonho e tentou irremediavelmente apanhar o seu pássaro que lhe fugiu por entre os dedos e foi rua fora cantando desta vez uma melodia de amor incompreendido.

De manhã acordou e chorou sem razão a perda de seu incómodo. Levou todo o dia no absorto pensamento de sua amada Inês. As suas saudades voltaram agora que já a havia esquecido, trazidas por aquela nobre ave canora que cantava uma melodia de tristeza e má sorte.

terça-feira, 3 de março de 2015

a alma

  a alma

                                                               Dissipa-se minha alma
                                                            enquanto escrevo neste papel
                                                     tudo em minha volta se desmaterializa
                                          a alma, que e só uma, perde-se no tamanho de um papel
                                                                a poesia que escrevo 
                                                             não pensando mas sentindo
                                                            é alma demais para o papel  
                                                    lanço-lhe fogo e ela desvirtualiza-se
                                                     lá vai... desaparecendo minha alma
                                                          por entre labaredas furiosas

                                                              é assim que um papel 
                                                                    é na verdade
                                                                        alma
                                                                    de um ser
                                                                 que lá vai sendo
                                                        de uma alma que vai penando
                                                               algo que se sente
                  mas nao se vê                         

A inutilidade

                  Inutilidade

A Luz e o Fumo
Encobre-se a Luz, sumo
Continuo a fumar
A minha alma regozija
O cigarro é da minha alma a cornija
E continuo a fumar.

Enquanto o Fumo se me escapa
Filosofo profundamente
Uso e abuso da minha mente
Sendo o Fumo minha capa.
A Filosofia meu chapéu
E as mágoas o que me permite olhar o céu.

Que não me venham com ciências,
Pois que o Mundo é de ironias e eloquências.
Mas a Filosofia já se não usa
E da ciência se abusadamente abusa.

Toda esta sociedade me enoja
E toda ela dificilmente despoja
Do ódio, desprezo e estupidez.
O Mundo é governado por insensatez.

Que se matem os que o destroem,
Que se saúdem os que idealizam;
Que se ajudem os que constroem,

Que se desprezem os que dele abusam.