Tudo o que vem
À caneta é papel
Então escrevo
The fires, within me, set me ablaze
And betwixt flames and shadows, there is haze
There is smoke and light
And the moon, tonight
Shines ever so bright
Between the horizon and the sea
there's a silver line
That all it does, all it will ever do, is to shine
And the things that cannot be
Are like the mirage, that takes drunken sailors ashore
Craving for more,
They drink and smile, stealing the brits' tea
Selling it for doublons and rum
And then, between them, like brothers, divide the sum
A noite cai
A lua, por detrás das nuvens sai
Mas, se o sol, doce, dourado sol
Não amanhã nascesse
E, se Deus à minha prece não atendesse...
Nas dualidades da vida, morte, luz... Escuridão
Não houvesse espaço para perdão,
Se mesmo no centro da multidão
Eu, apesar de acompanhado, sentisse a mais bela solidão,
Mesmo contigo apertada contra meu peito, sentindo teu coração,
Prevalecesse o sentimento de mútua paixão
Teus olhos enternecidos
Nossos abraços lânguidos
Agarraria tua mão...
Chamar-te-ia de perfeita, olhando tua imperfeição
I'm pretty good at being a fake
I'm cheaper than ez bake
I'm allways empty no matter what I make
I'll allways follow your wake
But not even you from this slumber can help me wake
Just another breath of air I take
God has forgotten me yet still i forsake
Not sure whether I'll live or break
And in the days I'm just a specter
A mirage
And in the nights i wish I'd be not again never
Again, a mirage
Like pipe dreams,
Reality is so not what it seems!
Teus olhos, ainda, me metem medo
Alguém sem saber, não saberia sequer que há entre nos segredo
Alguém saberia que não há,
talvez nem aqui, nem lá!
Não houvesse nada,
A não ser uma mão fechada,
uma memória plantada,
Onde nada é o que é
Onde eu ainda me perco em sonhos sem fé
Numa memória sem aqui nem ali, apenas um indistinto cá!
Todos os olhos perdem as cores,
então num mar plácido e calmo, onde me situo,
Este aroma ao qual me habituo,
E então, perdido de amores,
Reencontro a cor das tuas janelas, abertas mostrando a alma nua
e eu, abraço-te, dou-te um beijo na testa,
E agarro-me ao que de ti me resta
Minha alma ao lado da tua,
Idem, nua.
Carrego comigo,
mais um amontoado de dores,
as duas caras de cada amigo,
perdem as cores,
Carrego comigo,
mais um amontoado de dissabores,
Carrego comigo,
mais cruzes que pecadores,
vivem, sendo de si próprios inimigo
Carrego comigo,
as tuas cruzes, as tuas aventuras,
as tuas maleitas, as tuas loucuras,
E comigo também todas as curas,
E ainda depois, talvez ainda seja teu amigo
O fumo subia,
Dançava e por ele a dentro ia
Consumia
Ele consumia-se
Pedras brancas e a sua consciência … ia-se
Ele fumava, solene
Ele fumava ironicamente,
Ele fumava, pedras brancas,
Ele fumava, inconscientemente
Ele fumava, e a mim doíam-me as ancas
Ele fumava, com umas calças creme
Sujas, e moribundo, ele fumava, aquilo que o próprio drogado
teme,
E sua mão, enquanto fuma, treme,
E ele fica … vai ficando.
E fuma, vai fumando,
Despede-se e fica na plataforma, mas no seu espirito já se foi embora.
E a vida segue
E persegue,
E prossegue...
E tu ainda aqui estás
E tu o futuro ditarás
E eu não sei o que traz
o próximo minuto, hora segundo
E nao encontro o teu perfume neste mundo
E haver um segredo
Que não se partilha
Mas cuja memória brilha
No meio de sombras, destemido e sem medo
Na mais profunda floresta
Onde de sol há apenas um fresta
Onde a circunferência de deus tem sua aresta
Há o nosso acordo não falado
Sobre um obscuro passado
E dói-me em espaços
O quão sozinho me encontro no meio de tantos
E quão são escassos
E vejo nos cantos
Sombras de pessoas e gatos
E as corujas do mato
mas, perdido, e sem tato
Reencontro-me vagueando em recantos
Em prantos
Acolhido em luz de velas
O meu coração só conhece celas
Deambulo pelos crepúsculos
E vejo-me alheio
Encosto ao peito
Que a morte aceito
Que na verdade a morte fala a meu desrespeito
E não me leva para lá do Estige
Mas sim, a lembrar a tua esfinge
Na vida me procuro
Nas sombras brilho
Perco-me suspenso no atilho
E na noite me curo
Por desculpas que não se tecem
Por encontros que não acontecem
Por vidas que outros não conhecem
Doem-me os cornos
E eu que nem sabia que era corno
Dói-me a vida, a alma, o corpo,
Depois de morrer oxalá fosse morto
Então absorto
Encontro-me morto
E vejo que sou nada
E ousada
Que eras
Roubando-me sonhos acordados
E eu que esquecia-os, roubado
Do que se tinha passado
e eu que esqueço os passados
Desejo morrer e ficar no solo plantado
E hoje esqueço
Amanhã sonho
Depois morro
Com um sorriso medonho
Para que tu não esqueças
Nao me reconheças
Para que eu durma
Às mais estranhas horas
Num mundo sem agoras,
Só depois(es), mas todos sabem
Eu bem sei
Que tu sabes, o que eu não lembro
E que nao sei, não me lembro
Mas tudo está no passado
Num agora despedaçado
Num presente inacabado
Num dia, em semanas, num bom bocado
Grita para dentro de mim
Leva até ao mudo êxtase de criação
Empurra-me para alem do abismo sem fim
Mas grita. Grita para dentro de mim
Provoca-me com o teu perfume
Enquanto eu te deixo em baixo lume
E fumo, depois vem o queixume
Dói-me que tenhas desaparecido
Mas em mim ainda te tenho, mas num reflexo partido
E tu fazes de mim esquecido
Mas na verdade sinto-me consumido
Usado, atraiçoado
Mesmerizado e calado
Fumo, sem saber, mas fumo
e em espectros os meus sonhos se erguem
E a vida que levam na minha mente, para além de viva...
É também o que me leva...
Sinto que deste mundo, resumo,
O que não me convém, mas gosto de fumar com e sem conviva,
E a morfina, que me leva à treva...
Às alucinações que me pedem, e impedem...
Que ame a realidade, daí que dela fuja,
Então amo esta poesia
Que é, em si mesma, a sua magia,
Mas que a mim... me distingue da coruja!
Onde o rio pega fogo
Onde viver passa a ser jogo
O vilão ganha com o logro
De Deus Diabo é o sogro
Viver apenas para morrer,
espero que nunca me venham a esquecer
Na morte futura
Que, sem cura,
Deixa de viver
Para em mim existir
Sem que eu tenha que o pedir
A lua cede ao sol, o céu e o caminho
Partilham umas horas nas alturas
E o eremita sozinho
É o mestre dos rituais e emoções puras
Que enquanto alma já conhece a morte
e também conhece o caronte
Que pede a ele próprio que a transporte
Ao monte mais invulgar
Acaba de acordar
E faz do seu caminho ao mais invulgar monte
Estás dormindo por entre ciprestes sempre verdes
Não estás morto pois que estás na mais invulgar colina
No meio de arvores e neblina
Não me deixem morrer sem ser em cima da mais invulgar colina
O céu cadente
Do sol poente
Faz-me sentir indiferente
A lua que voa alta
E a pessoa que me faz falta
Fazem de mim doido, lunático, indigente
Sempre me senti diferente
Das pessoas e desta gente
E o sol que teima em arder
E o mar salgado que sempre vou ser
São os meus abrigos
Enquanto coisas sem sentidos
Enquanto meus amigos
Quem tem mãe tem tudo
Quando se perde o mundo vira mudo
Quem a perde, perde-se
Quem a perde... desenmerde-se
Vivo debaixo da asa
Sorte em ter minha mãe em casa
Ela deu-me ao mundo
Criou-me com amor profundo
Em breve saio a voar
Enquanto livre pássaro a assobiar
Cara mãe, sempre contigo no coração
Dedico-te este poema e to entrego em mão
A cadência interminável do momento
Em que a névoa do julgamento
e o abismo do silêncio e esquecimento
Perde a surreal presença
O momento é como que água profunda
Ou areia movediça que afunda
Olhando o horizonte vê-se no longe
atrás da luz e sombra um monge
que na descrença morre e renasce
Numa vida levada à pressa
Seu corpo cheio de alma desfaz-se
A harmonia some colapsada
À distância rui agigantada
E de demónios que foi e anjos que se torna
E morrem na praia ao verem o horizonte
Nasce a lua que retorna
e enfeitiça o monte
Ophiussa sorri de noite em que o mocho canta
A serpente descansa e o poeta seus males espanta
O gato listrado caça
O diabo novo pão amassa.
Viver sem amarras
Poder mostrar as garrasO meu destino é escrito a sangue, carvão e runas e anjos e fadas
Que é surpresa escondida e magoada
Ao caber toda uma única na vida
Que se sente distraída
Ao almejar a sorte
Distraindo a morte
Ao dar lugar à vida
Ao escrever a entrada e saída
E por vezes a entrada de uma vida
Outros a reencarnação de vida vivida vividamente
E em sinais que me pagam
Amores e desamores que me matam
O coração desamarram
Sagrada fala profanada
Sem sabor a nada
Sem sabor a quem brada
Levanta a madrugada
De sangue na camisa desabotoada
Longe na distância
Sente se ânsia
Perto no fôlego de pessoa
Vê se quem não a nada soa
Mas perto já demais
Há quem morra sem país nem pais
Encantado por si mesmo
Vê seu reflexo como cisne
Para aprendiz nada vale
Leve seu mal
E se torne aventesmo
Que dê tudo prescinde
Morto na algibeira
Perdido na asa dianteira
Encontrado numa louceira
Perdido em pasmaceira
Aborrecido porque nem tudo se salva
Lava o cu com água de malva
Esquecido nunca , ele vivalma
Nadador em água plácida e calma
Amante de futuros risonhos
Encontrado sempre sem sonhos
Vive sonhando e sonha vivendo
Engana-se não se perdendo
Ama não quem não merece
Perdoa sempre quem merece
Olhos para descobrir e um para ver
Olhos são muitos, mais que três em meu ser
Perdendo minha mesmeza
Torno me dono de minha natureza
Alcançando nela a beleza
ReGanhando sapiência como fortaleza
Hoje honro o ontem e o amanhã
E a fruta que se mantém sã
Maçã de manhã
E de noite azeitona
Sempre de minha persona
Algures mortos pesquisam a zona
E outros por pouco ficam à tona
De si mesmos já morrendo de vontade
Outros ainda de valor pós vida
Que vivem vida
Sem perturbar outra vida
Todas as pedras da calçada desejam secamente o meu sangue
Todos os pequenos cantos aguçados imploram que eu neles bata com a cabeça
Todos os lances de escada anseiam pela minha queda
Todos os precipícios sem fundo gritam em voz vigorosa pedindo que me afogue
Agora eu, cansado, irremediavelmente cansado
Fumo este cigarro que me mata
E também ele me deseja a morte
Todas as noites bato com a cabeça na secura da insónia
Todos os dias desejo dormir e esquecer
Quando acordo desejo não o ter feito
Acordar é para mim sacrifício e sacrilégio
Tudo o que sonho vejo desaparecido e desencontrado
Deambulo sonâmbulo descrevendo círculos de dor
Apregoou o meu azar e a minha falta de ar
Perco me em divagações sem sentido algum
O que me dói não sei talvez seja o nada talvez seja tudo
Sinto me vazio no entanto cheio de dor
O que me completa foge de mim e atraiçoa me
Desconto mas atraso a cada dia a minha sentença de morte
Tudo grita impassível e alto em voz de sufoco
A dor que me consome manifesta se em tudo
Todas as vozes
Todas as imagens e todos os sons
Nas sensações
E nas dores que se distinguem em nuances de sofrimento e angústia
Pauso e sofro por momentos para esquecer que sofro e recuperar fôlego
Acolho a introspecção e nela me afundo
Momentos depois não sei distinguir o sonho da realidade da ficção
E acordo acordado durante o dia com suores e delírios
Até às pequenas alegrias servem apenas para afagar os sofrimentos que me consomem
As chatices que me assombram são imensas
E as saudades idem e além
Construo ideias de morte sem deixar que elas de mim se apoderem
Mas amanhã, sim, amanhã talvez seja o dia
Mas depois... Nunca é esse amanhã e as dores amontoam
E os cegos que vissem e os mocos que falassem pois amanhã nunca chega e hoje nunca muda
Todos os dias elaboro uma escapatória mas ela nunca chega
Não vejo luz quanto menos túnel
As alturas olham para mim tentando me
A lágrima que me escorre pelo olho pede para ser a última
Mas amanhã mais virão
Penso que um dia terá um fim
Mas esse dia nunca chega
E agora em meio de lágrimas salgadas clamo e imploro á janela que me deixe cair
E ao chão que me deixe morrer
Cada vez mais a janela me parece bela
E o chão uma sumidade
Todas as invejas dos outros serão castigadas
A inveja envenena o coração e mata por dentro
Como um rato de esgoto que se alimenta de ratoeiras