Todos os dias bato á tua porta
Não há, nunca, sinal de vida
Talvez estejas a dormir,
Ou já morta
Tua casa, pelo tempo esquecida
Olha para mim, ainda a sorrir
Tua janela, fechada e torta
Mostra miragens atras da casa
Como fantasmas numa campa rasa
E todas as noites, todas, contigo sonho
Mas quando acordo sinto-me estranho
O sonho era risonho, agora é medonho
E o teu quarto, menos tamanho,
Pois, agora sem ti, parece vazio
E tu, fantasma, por detrás da janela
A sorrir, eu de volta sorrio
Mas todas as noites, o sonho
Morre á tua porta
As fotografias, essas, ainda guardo,
Mas hoje, ardem, e também eu ardo
Para aquecer meu gelado coração
Nem eu faço questão,
De te procurar ainda
Perdido numa memória que não finda
Então, quando passo na tua rua
Vazia, ainda é só tua,
Quem habita tua casa agora
O sol e a lua
E tua vizinha, pergunta-me
Onde mora ela agora?
Pergunta sem respostas, pelo menos agora.
E então a rua assalta-me
Com memórias e emoções,
Histórias, delírios e preocupações.
E deixo, tua rua, de mãos nos bolsos, e taquicardias,
A tua casa, na distância, aparenta cantar sinfonias,
Então, passo nessa rua, todos os dias,
Mas cada vez mais percebo que não voltarias.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Porta de uma casa vazia
A queda
Primeiro cede e balança,
Depois esquece e dança,
Depois, morre e descansa,
Caça, mata, guarda a lança,
Sobe a árvore, nela se senta,
Fica a olhar a nuvem, ela cinzenta
Depois cai, porque o ramo rebenta
Cabeça no chão, que nem pensar tenta
E eu, da minha varanda, vejo e rio
Esta situação ao pé do rio vazio
Ele ainda não me viu
Novamente me rio,
Ele nem levantar ainda conseguiu
Levanta, vomita, tosse
Quase com morte precoce
Sua consciência escapa de sua posse
Desmaia ele, e eu tiro fotografia, imagem agridoce.
Ajudo-o, atónito e afônico
Ele me aparenta em perigo
O que posso fazer? Pois que nada consigo
Ele me olha, ainda catatônico
Oferto-lhe um tônico,
Ele se levanta, treme e desanda, segue sem caminho,
Aparenta que bebeu demasiado vinho.
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