A noite cai, fria, muito fria
E no cru silêncio, a luz se apaga
Também a mim me silencia,
E a cada movimento que se faz
A cada passo que dás,
O escuro afaga-me a cara
Com a lágrima que ninguém repara,
O gelo, invisível, não serve de paga,
Mas serve como chapada,
Como relação acabada, quebrada
Então, danço, eufórico, até cair
Até deixar de sentir,
Danço, danço,
Mas nem por isso me canso
E perco-me em delírios,
Alucinações, paranoias,
Pesadelos, horrores insônias
Até todas as gotas de chuva parecerem-me colírios
Ate todas as vozes parecerem minhas,
Ou ate todas falarem sozinhas,
E então o que restar,
Terá peso de nada e ar
Só meu impossível ser
O nada e a minha consciência
O meu corpo a derreter,
Essa é minha ciência,
Criar nadas,
Desfazer tempo ás braçadas.
Avisos (1)